A Latam Airlines revisou para cima sua projeção de resultados para 2026 após avaliar que o cenário para os preços do combustível se tornou mais favorável do que o esperado há alguns meses. A companhia passou a projetar um Ebitda ajustado entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,4 bilhões neste ano, acima da estimativa anterior, que variava de US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões. A revisão ocorre mesmo em um contexto ainda marcado pelos reflexos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre o mercado global de energia.
Além da melhora na perspectiva de rentabilidade, a maior companhia aérea da América Latina manteve uma visão positiva para suas operações e espera expandir sua capacidade entre 9% e 10% ao longo de 2026, sustentada pela continuidade da demanda por viagens e pela recuperação gradual do ambiente operacional.
Segundo o diretor financeiro da Latam, Ricardo Bottas, a principal mudança nas projeções decorre da expectativa de preços menos elevados para o querosene de aviação nos próximos meses. A empresa agora trabalha com um cenário de aproximadamente US$ 150 por barril no terceiro trimestre, abaixo da estimativa anterior de US$ 170, enquanto para o quarto trimestre projeta cerca de US$ 130 por barril, ante US$ 150 previstos anteriormente.
Apesar da revisão, o executivo ressaltou que os custos permanecem significativamente superiores aos níveis esperados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio, quando a companhia projetava preços próximos de US$ 90 por barril. Ainda assim, a redução das expectativas em relação ao pico registrado durante o conflito foi suficiente para melhorar as perspectivas de geração de caixa e de rentabilidade para o restante do ano.
Bottas afirmou que a empresa conseguiu atravessar um dos períodos mais desafiadores para a indústria aérea nos últimos anos, marcado pela forte disparada dos custos com combustível. Segundo ele, a capacidade de adaptação da companhia reforçou a confiança da administração na estratégia operacional adotada. “Houve um teste, e nós passamos nesse teste”, afirmou o executivo ao comentar o desempenho da empresa diante do choque nos preços da energia.
A atualização do guidance foi anunciada após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Entre abril e junho, a Latam registrou lucro líquido de US$ 125,2 milhões, resultado inferior aos US$ 241,6 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. A queda refletiu principalmente o forte aumento das despesas com combustível, que praticamente dobraram na comparação anual.
Mesmo diante desse cenário, a receita continuou crescendo de forma consistente. O faturamento da companhia avançou 27% em relação ao segundo trimestre de 2025, alcançando US$ 4,12 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo transporte de passageiros, principal fonte de receita da empresa, enquanto o segmento de cargas também contribuiu positivamente para a expansão do faturamento.
Os custos com combustível foram o principal fator de pressão sobre os resultados. De acordo com Bottas, a companhia enfrentou mais de US$ 800 milhões em despesas adicionais com querosene de aviação em apenas um trimestre, consequência direta da volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelas interrupções no mercado internacional de petróleo.
Embora a administração reconheça que o segundo semestre ainda deverá ser marcado por elevada incerteza geopolítica e volatilidade nos preços da energia, a avaliação é que o ambiente operacional tende a melhorar gradualmente. A combinação entre demanda resiliente, maior eficiência operacional e expectativa de alívio parcial nos custos reforçou a confiança da empresa para elevar suas projeções financeiras para 2026, mesmo mantendo cautela em relação aos riscos que ainda cercam o setor aéreo.










