Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) aparecem entre as escolhas do Bank of America para o setor bancário da América Latina. Na avaliação dos analistas, os dois bancos brasileiros combinam perspectivas favoráveis para os resultados com preços considerados atrativos, embora o cenário econômico doméstico ainda imponha riscos.
A análise do BofA considera um período de crescimento mais moderado da economia brasileira antes das eleições presidenciais de outubro. Posteriormente, uma redução mais consistente dos juros poderia contribuir para a recuperação da atividade e melhorar as condições para o setor financeiro.
O banco americano projeta cortes de 0,25 ponto percentual da Selic por reunião até o fim de 2027. Nesse cenário, a taxa básica, atualmente em 13,75% ao ano, terminaria 2026 em 13,25% e chegaria a 11,25% no encerramento de 2027. A trajetória recente da inflação é apontada pelos analistas como um fator que reforça a possibilidade de flexibilização monetária.
Além da perspectiva para os juros, o BofA destaca o valuation. Bancos brasileiros e mexicanos estão entre os que apresentam maiores descontos no múltiplo preço sobre lucro (P/L) na região. As instituições argentinas apresentam avaliações ainda mais baixas, mas o relatório ressalta que a volatilidade observada no período eleitoral anterior pode manter investidores mais cautelosos.
Os bancos brasileiros também se destacam na distribuição de resultados aos acionistas. O BofA estima dividend yield próximo de 7% para o setor no Brasil, ante cerca de 6% no México, 5% entre instituições dos países andinos e 2% na Argentina. Essas taxas representam estimativas do banco e podem variar conforme os resultados e as decisões de distribuição de cada instituição.
Entre os brasileiros, o Itaú é a principal preferência do BofA. Os analistas citam a rentabilidade, a solidez do balanço e a execução operacional como fatores que sustentam a avaliação favorável sobre o banco.
O Bradesco também recebe recomendação de compra, mas por uma tese diferente. O BofA vê espaço para continuidade da recuperação dos resultados e considera favorável a relação entre riscos e potencial de retorno.
Entre os fatores que poderiam levar o Bradesco a superar as estimativas estão um crescimento da carteira de crédito acima do projetado e despesas com provisões menores que o esperado. Um impacto mais limitado dos juros sobre a margem financeira de mercado também é citado como possível fator positivo.
A avaliação é mais cautelosa para o Banco do Brasil (BBAS3). O BofA reafirmou recentemente a recomendação de venda e reduziu o preço-alvo de R$ 21 para R$ 20 por ação. A projeção implica potencial de queda de aproximadamente 11% em relação à cotação utilizada no relatório.
Para 2026, o banco americano estima lucro de R$ 17,6 bilhões para o BB, abaixo do intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões projetado pela própria instituição. O principal ponto de preocupação está na qualidade da carteira de crédito e na necessidade de maiores provisões para perdas.
Segundo o BofA, a deterioração dos ativos deixou de estar concentrada apenas no crédito rural, aumentando a cautela com a recuperação dos resultados do Banco do Brasil.
O relatório mostra, assim, avaliações distintas mesmo entre os grandes bancos brasileiros. Enquanto Itaú é destacado pela rentabilidade e consistência operacional, Bradesco aparece como uma tese de recuperação. No Banco do Brasil, a evolução da qualidade do crédito permanece como o principal fator de risco acompanhado pelos analistas. As recomendações e preços-alvo são estimativas do BofA e não representam garantia de desempenho das ações.









