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Brasil lidera emergentes no mês e eleição entra no radar do JP Morgan

Mercado brasileiro ganha destaque entre emergentes enquanto pesquisas mostram disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

O mercado brasileiro apresentou o melhor desempenho entre os emergentes no último mês, segundo avaliação do JP Morgan. Para o banco, fatores domésticos ganharam importância na precificação dos ativos à medida que as pesquisas eleitorais passaram a mostrar uma disputa mais apertada pela Presidência.

Os levantamentos mais recentes mostram um cenário competitivo, mas não permitem afirmar um vencedor. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro, Lula (PT) registrou 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL). Em uma eventual disputa entre os dois no segundo turno, os percentuais foram de 46% e 45%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A Quaest divulgada no mesmo dia também encontrou equilíbrio. Lula marcou 37% no primeiro turno e Flávio, 33%. No cenário de segundo turno, Flávio apareceu numericamente com 42% e Lula com 41%, diferença igualmente dentro da margem de erro.

É nesse ambiente que o JP Morgan identifica uma maior influência da eleição sobre os preços dos ativos. Embora movimentos globais normalmente tenham peso relevante sobre os mercados latino-americanos, fatores locais podem assumir maior importância durante períodos eleitorais, segundo a equipe de estratégia para mercados emergentes liderada por Emy Shayo Cherman.

Em um exercício que relaciona dados do Polymarket ao MSCI Brasil desde 1º de julho, o banco calculou que o índice avançou, em média, 0,25% nos dias em que aumentaram as chances atribuídas pelo mercado de previsão a Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma correlação observada no período analisado, e não de evidência de que o movimento eleitoral tenha sido a única causa da valorização dos ativos.

O comportamento chama atenção porque difere do padrão identificado pelo JP Morgan em eleições anteriores. Segundo o banco, historicamente o mercado brasileiro tende a apresentar desempenho mais fraco durante parte do período eleitoral, enquanto outubro costuma registrar reação mais positiva.

Para analisar a configuração atual, os estrategistas recorreram à eleição de 2014, disputada por Dilma Rousseff e Aécio Neves. Naquele ano, segundo o relatório, as ações apresentaram uma pequena queda seguida de recuperação limitada depois do primeiro turno.

O JP Morgan ressalta, entretanto, que os dois momentos possuem diferenças relevantes. O banco constrói cenários nos quais mudanças na composição política e, principalmente, na condução da política econômica poderiam alterar a reação dos ativos depois da eleição. Essas hipóteses são cenários de mercado elaborados pelo banco, e não previsões sobre o resultado eleitoral.

A política fiscal aparece como uma das variáveis centrais dessas simulações. Na avaliação dos estrategistas, a manutenção da atual orientação econômica poderia produzir uma dinâmica de mercado mais próxima à observada depois da eleição de 2014. Uma eventual mudança em direção a maior disciplina fiscal, por outro lado, poderia modificar a percepção de risco e a precificação dos ativos.

O banco também observa que o mercado brasileiro negocia atualmente a aproximadamente 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. O múltiplo é utilizado pelo JP Morgan para avaliar diferentes cenários macroeconômicos e políticos, mas sua evolução dependerá não apenas do resultado das urnas, como também da trajetória dos juros, da política fiscal, do ambiente externo e das decisões econômicas adotadas após a eleição.

Com menos de duas semanas para o primeiro turno, os levantamentos disponíveis continuam mostrando uma corrida presidencial apertada. A relação identificada pelo JP Morgan entre pesquisas e preços dos ativos ajuda a explicar parte do comportamento recente do mercado, mas não determina como a bolsa reagirá até ou depois da eleição.

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