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Itaú corta projeção do PIB e vê economia quase estagnada no 3º trimestre

Banco vê desaceleração mais forte da atividade, eleva projeção de inflação de 2027 para 4,6% e mantém expectativa de Selic em 13,75%

O Itaú Unibanco reduziu de 1,9% para 1,7% sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e passou a esperar avanço de 1,2% em 2027, ante estimativa anterior de 1,5%. A revisão reflete sinais de desaceleração mais intensa da atividade, principalmente em serviços, indústria de transformação e consumo das famílias.

Embora o resultado agregado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre tenha ficado próximo do esperado pelo banco, a composição foi considerada mais fraca. O desempenho abaixo das expectativas nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico foi compensado parcialmente por uma agropecuária mais forte.

Os indicadores do terceiro trimestre reforçaram a percepção de perda de ritmo. O acompanhamento do Itaú aponta para estabilidade do PIB, com variação de 0,0% em relação aos três meses anteriores e crescimento de 1,5% na comparação anual. Antes, o banco projetava altas de 0,2% e 1,9%, respectivamente.

O IDAT-Atividade, indicador proprietário do Itaú, mostrou recuperação em agosto depois da fraqueza registrada no encerramento do segundo trimestre. Os dados da primeira metade de setembro, entretanto, voltaram a indicar perda de fôlego, levando a instituição a adotar uma projeção mais conservadora para o restante do ano.

Para 2027, além do menor ritmo esperado no fim de 2026, o Itaú considera os efeitos acumulados e defasados da política monetária contracionista. A taxa de desemprego projetada para este ano foi mantida em 5,7%, enquanto a estimativa para o próximo subiu de 6,1% para 6,2%.

Na inflação, o banco manteve em 5,1% sua previsão para o IPCA de 2026, mas elevou a estimativa de 2027 de 4,4% para 4,6%. Segundo a análise, os núcleos de inflação apresentam comportamento mais favorável no curto prazo, enquanto alimentos e serviços devem voltar a pressionar os índices no quarto trimestre.

A revisão para o próximo ano incorpora ainda o impacto esperado do fim das subvenções ao diesel. O Itaú considera que os riscos para a inflação permanecem assimétricos para cima e cita o El Niño como uma fonte adicional de incerteza para os preços dos alimentos.

Um fenômeno climático mais intenso poderia afetar o plantio da soja e o regime de chuvas, com reflexos também sobre a segunda safra de milho. Por isso, mesmo com uma atividade econômica mais fraca, o banco ainda identifica fatores capazes de dificultar uma desaceleração mais rápida da inflação.

Esse cenário ajuda a explicar a cautela do Itaú com a política monetária. Na avaliação da instituição, o Comitê de Política Monetária evitou antecipar seus próximos movimentos e manteve as decisões condicionadas à evolução dos indicadores econômicos.

O banco prevê uma pausa no ciclo de redução da Selic em 13,75% ao ano. A projeção considera a postura mais conservadora do Banco Central, a evolução do câmbio e a permanência de riscos inflacionários relevantes.

Para o dólar, as estimativas permanecem em R$ 5,30 no fim de 2026 e R$ 5,50 em 2027. O Itaú avalia que o real foi beneficiado recentemente pelos termos de troca, mas observa que a valorização global da moeda americana continua sendo um fator de pressão.

Na área fiscal, o cenário prevê déficit primário de 0,5% do PIB neste ano e de 0,6% em 2027. No curto prazo, o banco aponta como risco uma eventual postergação da reoneração dos combustíveis. Para um horizonte mais longo, avalia que a estabilização da dívida pública dependerá de um ajuste fiscal relevante, enquanto a definição da política econômica para o próximo mandato permanece como fonte de incerteza.

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