As oscilações do petróleo no mercado internacional podem chegar à economia brasileira principalmente por meio do diesel e dos custos de transporte. Em um país no qual boa parte das mercadorias circula pelas rodovias, uma alta prolongada do combustível tende a aumentar as despesas logísticas e pode se espalhar por diferentes cadeias produtivas.
A avaliação é de Bruno Bressan Marcondes, sócio líder de petróleo e gás da KPMG no Brasil. Segundo ele, o diesel é o principal ponto de atenção porque alterações em seu preço afetam diretamente o frete utilizado por empresas de diversos setores.
Os movimentos recentes do petróleo têm sido influenciados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas não dependem apenas dos conflitos. Oferta e demanda global, capacidade de refino, níveis de estoques e expectativas dos investidores também interferem nas cotações.
Para o Brasil, a condição de grande produtor e exportador de petróleo não elimina completamente a exposição ao mercado externo. O país ainda utiliza derivados importados, especialmente diesel, o que permite que parte das oscilações internacionais seja transmitida ao mercado doméstico.
Caso a elevação dos preços seja intensa e persistente, empresas que dependem fortemente de transporte podem enfrentar aumento dos custos operacionais. A pressão pode atingir desde a movimentação de matérias-primas até a distribuição dos produtos aos pontos de venda.
O impacto sobre o consumidor depende, entre outros fatores, da capacidade das empresas de absorver essas despesas. Quando parte do aumento é repassada aos preços, a alta do petróleo pode contribuir para pressões inflacionárias em produtos e serviços que dependem de transporte e energia.
Os efeitos também variam entre os setores. Indústrias intensivas em logística ou consumo energético tendem a sofrer maior pressão sobre as margens quando petróleo e derivados permanecem caros por períodos prolongados.
Para as produtoras de petróleo, a dinâmica pode ser diferente. Preços internacionais mais elevados tendem a aumentar a receita obtida com a produção e podem favorecer a geração de caixa, embora o resultado de cada companhia também dependa de custos, volumes produzidos e outras condições operacionais.
Por isso, o efeito líquido sobre a economia brasileira não depende apenas da direção das cotações. A duração da alta, sua intensidade, o comportamento do diesel no mercado doméstico e a capacidade das empresas de absorver ou repassar custos serão determinantes para medir o impacto sobre atividade e inflação.










