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IG4 prepara oferta por dívida da Raízen ligada a açúcar e etanol

Gestora prepara oferta à vista por créditos e participações ligados à futura Raízen Energia, enquanto companhia reestrutura R$ 61,4 bilhões em dívidas

A IG4 Capital prepara uma nova tentativa de ganhar exposição aos ativos da Raízen, desta vez concentrada exclusivamente no negócio de açúcar, etanol e bioenergia. A gestora negocia com bancos e detentores de títulos emitidos no exterior a compra de direitos econômicos que esses credores receberão durante a reestruturação financeira da companhia, segundo informações apuradas pelo Valor.

A estratégia envolve tanto a parcela da dívida que ficará vinculada à futura Raízen Energia quanto as participações acionárias que serão entregues aos credores. A operação de distribuição de combustíveis, que será separada em outra companhia, não faz parte da nova proposta.

A expectativa é que a IG4 apresente ofertas definitivas na próxima semana. As negociações serão individuais e o pagamento deverá ser realizado à vista, sem exigência de um volume mínimo de créditos para que a operação avance. A gestora não comentou as informações.

A movimentação ocorre durante a implementação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, homologado pela Justiça em 30 de julho. A reestruturação abrange aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras e prevê a conversão de 45% dos créditos sujeitos ao plano em ações. Os outros 55% serão transformados em novos instrumentos de dívida.

A reorganização também dividirá as atividades da Raízen em duas empresas independentes. A Raízen Energia concentrará açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.

É justamente essa divisão que abriu espaço para a nova estratégia da IG4. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, alguns credores demonstram maior confiança na recuperação da distribuição de combustíveis e gostariam de preservar sua exposição a esse negócio. A oferta permitiria vender à gestora apenas os direitos econômicos relacionados à operação sucroenergética.

A IG4 acompanha a situação da Raízen desde o início do ano e já teria elaborado um plano de recuperação operacional para açúcar e etanol. A definição da forma de entrada, contudo, dependia dos termos finais da recuperação extrajudicial e de como dívida e participação acionária seriam distribuídas entre as duas novas companhias.

Esta é a segunda investida da gestora sobre créditos da Raízen. Em junho, a IG4 apresentou uma proposta não vinculante com objetivo mais amplo: adquirir créditos suficientes para buscar uma participação majoritária na companhia como um todo. As negociações não resultaram em acordo.

Naquela ocasião, os credores receberam três alternativas, incluindo pagamento em dinheiro, cotas de um fundo administrado pela IG4 e instrumentos que permitiriam participar de eventuais ganhos futuros com a venda da participação. A nova abordagem elimina essa estrutura e concentra a oferta no pagamento à vista pelos direitos relacionados à Raízen Energia.

A intenção é assinar os contratos antes da conclusão da recuperação extrajudicial e da entrega definitiva dos novos títulos de dívida e ações aos credores. Dessa forma, a IG4 começaria a montar sua posição ainda durante a reorganização societária.

As conversas com alguns bancos e detentores de títulos internacionais já estariam avançadas, segundo as fontes. A gestora pretende avaliar até a conclusão da reestruturação o volume de créditos que conseguirá adquirir, mas poderá continuar comprando posições depois da separação das operações.

A movimentação não significa, neste momento, que a IG4 assumirá o controle da futura Raízen Energia. O tamanho de sua participação dependerá da adesão dos credores e do volume de direitos efetivamente adquirido. A nova oferta representa, por enquanto, uma estratégia para construir gradualmente uma posição no negócio sucroenergético durante a reestruturação da Raízen.

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