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Balanços nos EUA começam com lucros em alta e pressão sobre ações

JPMorgan, Goldman Sachs e outras gigantes divulgam balanços nesta semana. XP alerta que projeções otimistas reduzem espaço para surpresas positivas

As maiores empresas dos Estados Unidos iniciam a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 com expectativa de crescimento expressivo dos lucros, mas também sob maior pressão para justificar os preços de suas ações. A XP Investimentos projeta avanço de 31,4% no lucro por ação agregado das companhias do S&P 500 em relação ao mesmo período do ano passado, desempenho superior ao consenso do mercado, mas alerta que o otimismo acumulado nos últimos meses reduziu o espaço para surpresas positivas.

Segundo relatório da instituição, o lucro por ação (LPA) das empresas que compõem o principal índice acionário americano deverá alcançar aproximadamente US$ 91 no terceiro trimestre. O valor supera em 1,6% a estimativa média dos analistas, enquanto a expectativa de crescimento anual do mercado está próxima de 29%.

Apesar da projeção favorável, a XP considera que o principal desafio da temporada não será apenas confirmar a expansão dos resultados. As companhias precisarão demonstrar capacidade de manter o crescimento nos próximos trimestres, em um ambiente de juros elevados, tensões geopolíticas e avaliações de mercado que já incorporam expectativas otimistas.

A temporada ganha força nesta semana com a divulgação dos balanços de algumas das maiores instituições financeiras e empresas globais.

Na terça-feira (13), estão previstas as apresentações de resultados de JPMorgan, Johnson & Johnson, Goldman Sachs e Wells Fargo.

Na quarta-feira (14), será a vez de Bank of America, ASML, Morgan Stanley e BlackRock. Já na quinta-feira (15), o calendário inclui TSMC, identificada no relatório como TSM, e Charles Schwab.

Os números dessas companhias deverão oferecer informações relevantes sobre o desempenho do sistema financeiro americano, a demanda por semicondutores, os investimentos em tecnologia e o comportamento dos consumidores e das empresas diante das condições econômicas atuais.

Um dos principais pontos destacados pela XP é a mudança no comportamento das estimativas de lucro antes da divulgação dos balanços.

Historicamente, os analistas costumam revisar suas projeções para baixo ao longo do trimestre, acompanhando orientações mais conservadoras divulgadas pelas próprias companhias. Esse movimento reduz as expectativas e cria condições para que os resultados efetivos superem o consenso do mercado.

Desde 2022, a redução média das estimativas para o terceiro trimestre tem sido de aproximadamente 2,6%.

Em 2026, entretanto, ocorreu o movimento contrário. As projeções foram elevadas de maneira significativa ao longo do ano, refletindo a melhora das perspectivas para determinados setores da economia americana.

No fim de 2025, o lucro por ação esperado para o S&P 500 no terceiro trimestre de 2026 estava próximo de US$ 80. Às vésperas da divulgação dos balanços, a estimativa de consenso havia avançado para US$ 89,55.

A revisão representa um aumento de quase 12% nas expectativas de lucro antes mesmo da publicação dos resultados.

A XP atribui parte desse movimento ao desempenho dos setores de tecnologia e energia, responsáveis pelas principais revisões positivas durante o período.

Na tecnologia, o crescimento dos investimentos em inteligência artificial continua sustentando a demanda por semicondutores e componentes de memória utilizados em sistemas de processamento de dados.

O ciclo favorável para essas empresas contribuiu para elevar as projeções de receitas e lucros, especialmente entre companhias ligadas à infraestrutura necessária ao desenvolvimento e à operação de modelos de inteligência artificial.

No setor de energia, a recuperação dos preços internacionais do petróleo melhorou as perspectivas de rentabilidade das empresas, ampliando sua contribuição para o resultado agregado do índice.

A XP ressalta, contudo, que o otimismo não está distribuído de maneira uniforme entre as companhias americanas.

Segundo os estrategistas, as revisões positivas das estimativas individuais começaram a perder intensidade em setembro, indicando que a melhora das projeções passou a depender de um número cada vez menor de empresas.

Essa concentração aumenta a importância dos resultados apresentados pelas companhias de maior peso no índice e amplia o risco de reações negativas caso os balanços ou as projeções futuras fiquem abaixo do esperado.

Para a instituição, o crescimento dos lucros já está amplamente incorporado às expectativas dos investidores.

Por isso, mesmo empresas que apresentarem resultados superiores aos registrados no ano passado poderão enfrentar pressão sobre suas ações caso não consigam demonstrar perspectivas de expansão compatíveis com os preços atuais.

O relatório destaca que a discussão central da temporada será a capacidade de sustentar projeções futuras de resultados, conhecidas como guidances, em níveis suficientes para justificar os múltiplos de mercado.

A preocupação ganha relevância diante das condições macroeconômicas enfrentadas pelas companhias americanas durante o terceiro trimestre.

O período foi marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas internacionais, que contribuíram para elevar o preço do petróleo a patamares superiores a US$ 100 por barril.

O encarecimento da commodity favoreceu as perspectivas de lucro de empresas do setor energético, mas também ampliou preocupações relacionadas aos custos de produção, transporte e consumo em outros segmentos da economia.

Ao mesmo tempo, os juros de longo prazo dos Estados Unidos retornaram aos níveis mais elevados observados em décadas.

Segundo a XP, esse movimento refletiu tanto o aumento das taxas reais de juros quanto a elevação do prêmio de prazo exigido pelos investidores para financiar o governo americano por períodos mais longos.

A combinação desses fatores tornou o ambiente financeiro mais restritivo, elevando o custo de capital e aumentando a exigência de retorno sobre investimentos.

Outro elemento relevante foi a decisão do Federal Reserve, banco central americano, de elevar sua taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos.

A medida ocorreu apesar dos sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho, acrescentando incertezas sobre o ritmo de crescimento da economia e os efeitos da política monetária sobre empresas e consumidores.

Mesmo diante desse cenário, o S&P 500 conseguiu encerrar o terceiro trimestre com valorização de aproximadamente 2%.

O resultado positivo, entretanto, não refletiu um movimento generalizado de alta das ações americanas.

A XP identificou uma deterioração significativa da amplitude do mercado, indicador que permite avaliar quantas empresas efetivamente participam dos movimentos de valorização de um índice.

Enquanto o S&P 500 tradicional avançou 2%, sua versão com pesos iguais registrou queda de 2,3% no mesmo período.

A diferença ocorre porque o índice convencional atribui maior participação às companhias com maior valor de mercado, enquanto a versão equiponderada distribui pesos semelhantes entre as empresas.

Dessa forma, o desempenho positivo do indicador tradicional foi sustentado principalmente por um grupo restrito de grandes companhias, especialmente aquelas com maior exposição aos investimentos em tecnologia e inteligência artificial.

A concentração também aparece no comportamento das ações individuais.

Segundo o levantamento da XP, a ação mediana do S&P 500 acumulou desvalorização de 4,4% durante o terceiro trimestre.

Além disso, aproximadamente 60% das empresas que integram o índice estavam sendo negociadas a preços mais de 20% inferiores às respectivas máximas históricas.

Os números mostram que, apesar da valorização do principal índice americano, uma parcela expressiva das companhias enfrenta desempenho significativamente inferior ao observado entre as maiores empresas de tecnologia.

Essa diferença aumenta a importância da análise individual dos balanços, uma vez que o comportamento agregado do S&P 500 pode não representar adequadamente a situação da maioria de seus componentes.

A XP avalia que a temporada de resultados deverá ampliar a dispersão entre as ações, com reações mais intensas às diferenças entre os números divulgados e as expectativas do mercado.

Empresas capazes de apresentar crescimento consistente, preservar margens de rentabilidade e oferecer perspectivas favoráveis poderão encontrar maior sustentação para seus preços.

Por outro lado, companhias que demonstrarem dificuldades para manter o ritmo de expansão ou que apresentarem orientações mais cautelosas poderão enfrentar ajustes nas avaliações de mercado.

A instituição observa que as margens de lucro das empresas americanas permanecem próximas de níveis historicamente elevados, condição que aumenta a dificuldade de sustentar novas expansões expressivas.

A manutenção desse desempenho dependerá da capacidade das companhias de administrar custos, preservar a demanda e transformar investimentos em crescimento efetivo dos resultados.

Nesse contexto, a XP considera que os investidores deverão adotar uma postura mais seletiva, dando maior atenção à qualidade dos lucros e às perspectivas apresentadas pelas administrações.

A análise também destaca a dependência do mercado americano de fatores específicos, como a continuidade dos investimentos em inteligência artificial, os preços elevados do petróleo e a capacidade das grandes companhias de manter resultados robustos.

Embora a projeção de crescimento de 31,4% no lucro por ação agregado indique uma temporada potencialmente forte em termos operacionais, o relatório ressalta que resultados positivos não garantem valorização das ações.

Com expectativas elevadas e ganhos concentrados em poucas empresas, o desempenho do mercado dependerá cada vez mais da capacidade de cada companhia de entregar resultados e perspectivas suficientes para sustentar suas avaliações atuais.

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