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Goldman Sachs reduz projeção do dólar para R$ 4,70 após eleições

Banco americano projeta dólar abaixo de R$ 5 nos próximos 12 meses e aponta política fiscal, eleições e fluxo de capitais como fatores decisivos

O Goldman Sachs passou a projetar um dólar abaixo de R$ 5 para os próximos 12 meses, após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras provocar uma mudança nas expectativas do mercado financeiro. A revisão foi acompanhada de uma valorização expressiva do real, que ganhou força diante da perspectiva de uma política econômica mais favorável ao ajuste das contas públicas.

Em relatório assinado por Kamakshya Trivedi, Teresa Alves e outros estrategistas, o banco americano reduziu de R$ 5,20 para R$ 4,70 sua estimativa para o dólar em três meses. No horizonte de seis meses, a projeção caiu de R$ 5,10 para R$ 4,75, enquanto a previsão para 12 meses passou de R$ 5,00 para R$ 4,80.

A mudança ocorreu depois que a moeda americana recuou aproximadamente 4% na segunda-feira seguinte à votação. Para os analistas, a reação reflete tanto a possibilidade de adoção de medidas econômicas consideradas mais favoráveis pelo mercado quanto a incorporação de novas informações sobre o cenário político após o primeiro turno.

O Goldman Sachs avalia que o movimento ainda pode continuar nas próximas semanas. Caso os investidores mantenham uma percepção positiva sobre o desfecho eleitoral e a possibilidade de uma política fiscal mais restritiva, o dólar poderá ser negociado entre R$ 4,50 e R$ 4,80.

A instituição considera que uma cotação de R$ 4,80 seria compatível com a eliminação do prêmio de risco fiscal que permaneceu incorporado à moeda brasileira após a forte depreciação registrada em 2024. Esse patamar também estaria alinhado aos modelos de avaliação de longo prazo utilizados pelo banco para o real.

A experiência da eleição presidencial de 2018 é uma das referências utilizadas pelos estrategistas para avaliar o comportamento do câmbio. Naquele período, o dólar chegou a cair 10% diante da moeda brasileira, impulsionado pelas expectativas políticas. A valorização do real, entretanto, atingiu seu ponto máximo na sexta-feira anterior ao segundo turno, quando a atenção dos investidores começou a se deslocar do resultado eleitoral para a execução das propostas econômicas.

Essa mudança de foco também é esperada em 2026. Embora o banco tenha adotado projeções mais otimistas, os analistas ressaltam que a sustentação de um real valorizado dependerá das decisões anunciadas após a eleição, especialmente da composição do primeiro escalão do governo e das medidas voltadas à política fiscal.

Outro ponto de atenção é o comportamento sazonal do mercado de câmbio. O Goldman Sachs prevê que saídas expressivas de recursos a partir do fim de novembro poderão exercer pressão sobre a moeda brasileira, sobretudo se as primeiras iniciativas econômicas ficarem aquém das expectativas dos investidores.

O relatório também observa que a volatilidade implícita do câmbio diminuiu diante do segundo turno, mas considera que as oscilações poderão continuar elevadas após a votação. A definição dos principais integrantes do governo e o anúncio das diretrizes econômicas deverão influenciar a avaliação dos investidores sobre os riscos do país.

Assim, a revisão do Goldman Sachs indica uma melhora das perspectivas para o real no curto e no médio prazo, mas condiciona a manutenção desse cenário à confirmação das expectativas de maior disciplina fiscal. Para o banco, a reação inicial do mercado poderá abrir espaço para novas quedas do dólar, enquanto a trajetória posterior da moeda dependerá da implementação efetiva das políticas econômicas.

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