Destaque
DestaqueEconomiaNotícias

XP prevê crescimento de apenas 1% para o Brasil em 2027

Economia brasileira deve desacelerar de 1,7% em 2026 para 1% em 2027, segundo a XP, pressionada pelo endividamento e pela inflação persistente

A economia brasileira deverá registrar crescimento de apenas 1% em 2027, em um cenário de endividamento elevado, crédito restrito e inflação persistente. A projeção foi mantida pela XP Investimentos em relatório divulgado nessa segunda-feira (19), que aponta uma desaceleração da atividade econômica no primeiro ano do próximo mandato presidencial.

Assinado pelos economistas Alexandre Maluf e Henrique Raguza, o documento prevê expansão de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, seguida de perda de ritmo no próximo ano. A estimativa da XP está abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que recuou de 1,40% para 1,32% na pesquisa Focus, do Banco Central.

Segundo os economistas, a expectativa de crescimento para 2027 atingiu o menor patamar desde março de 2023, quando o Banco Central começou a reunir previsões para aquele ano. Na ocasião, o mercado projetava expansão de 2% do PIB, percentual que foi sendo reduzido ao longo do período.

A XP identifica o endividamento das famílias e das empresas como um dos principais obstáculos à recuperação da economia. O comprometimento da renda com obrigações financeiras, associado às condições ainda restritivas de financiamento, tende a limitar o consumo, os investimentos e a expansão da atividade produtiva.

A inflação também permanece como fator de preocupação. Enquanto a mediana das estimativas do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2027 subiu para 4,32%, a XP projeta alta de 4,4%.

Os dois números permanecem acima da meta de inflação de 3% perseguida pelo Banco Central. Entre os riscos apontados pela instituição estão os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre os preços e a defasagem dos combustíveis, que pode provocar pressões adicionais caso haja necessidade de reajustes.

Apesar da resistência inflacionária, a XP considera possível a continuidade do processo gradual de redução dos juros. A instituição estima que a taxa Selic alcance 11,5% em meados de 2027, enquanto a mediana das projeções do Focus aponta juros de 12% ao final do próximo ano.

A perspectiva de flexibilização monetária, entretanto, não elimina os efeitos das condições financeiras restritivas sobre a atividade econômica. O elevado endividamento e o custo do crédito devem continuar limitando a capacidade de recuperação do consumo e dos investimentos.

O cenário projetado pela XP representa um desafio para o vencedor do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O próximo governo deverá enfrentar uma economia em desaceleração, com inflação acima da meta e espaço limitado para estimular a atividade sem ampliar as pressões sobre os preços.

A combinação de crescimento de 1% e inflação de 4,4% em 2027 evidencia a dificuldade de conciliar a recuperação econômica com a estabilidade de preços, especialmente em um ambiente no qual a redução dos juros deverá ocorrer de forma gradual.

Postagens relacionadas

1 of 735