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Diesel da Petrobras pode subir 50%, diz Goldman Sachs

Relatório do Goldman Sachs avalia riscos de alta do diesel após as eleições e estima impacto de eventual reajuste nos preços e na inflação

O fim das diferenças entre os subsídios concedidos a importadores e produtores nacionais de diesel pode abrir espaço para um reajuste expressivo nos preços praticados pela Petrobras. Segundo cálculos do Goldman Sachs, a estatal precisaria elevar em aproximadamente 50% o valor cobrado das distribuidoras para alcançar a paridade internacional de importação, caso o atual modelo de compensação seja encerrado após o segundo turno das eleições.

A estimativa considera que o preço realizado pela Petrobras no mercado doméstico, incluindo a receita obtida nas refinarias e as subvenções federais, está 21% abaixo da referência internacional. Para os analistas do banco, essa diferença é sustentada por um sistema de subsídios que remunera de maneira desigual os fornecedores de combustível.

Atualmente, os importadores recebem R$ 3,52 por litro em subvenções, enquanto os produtores nacionais contam com R$ 2,12 por litro. A diferença favorece a competitividade do diesel importado e limita a capacidade de reajuste da estatal sem perda de participação no mercado.

Em relatório liderado pelo analista Bruno Amorim, o Goldman Sachs avalia que a definição do cenário eleitoral poderá influenciar o momento de uma eventual revisão dos preços. O banco não apresenta projeção sobre o resultado da votação, mas considera provável que a Petrobras aguarde o encerramento do segundo turno antes de decidir sobre reajustes, diante da sensibilidade política do combustível.

A instituição ressalta, entretanto, que ainda há pouca visibilidade sobre a continuidade dos subsídios. Por isso, mantém em seu cenário-base a expectativa de preços domésticos inalterados até dezembro, embora reconheça que um aumento poderia melhorar as margens de refino da Petrobras no quarto trimestre.

O relatório também considera a possibilidade de uma pressão adicional sobre os preços caso a estatal procure compensar o período em que comercializou diesel abaixo da paridade internacional ao longo de 2026. Outra alternativa seria ampliar em aproximadamente 70% os subsídios destinados aos refinadores nacionais, reduzindo a necessidade de um reajuste direto.

A decisão envolve ainda riscos comerciais. Se a Petrobras elevar seus preços enquanto os importadores continuarem recebendo subvenções superiores, a companhia poderá perder competitividade e participação de mercado. Essa condição, segundo os analistas, limita a viabilidade de um aumento isolado.

Do ponto de vista financeiro, preços mais elevados tenderiam a favorecer a geração de caixa da estatal. O efeito seria diferente para distribuidoras como Vibra Energia e Ultrapar, que adquirem parcela relevante de seus combustíveis nas refinarias da Petrobras e poderiam enfrentar aumento nos custos de aquisição.

A inflação é outro fator que dificulta a implementação de um reajuste dessa magnitude. O Goldman Sachs estima que uma elevação de 50% no diesel vendido às distribuidoras poderia resultar em aumento de aproximadamente 20% no preço ao consumidor final.

Nesse cenário, o impacto calculado sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficaria entre 21 e 24 pontos-base, equivalentes a 0,21 e 0,24 ponto percentual. A pressão inflacionária associada ao combustível representa, na avaliação do banco, um obstáculo adicional a uma correção integral e imediata dos preços.

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