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O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, afirmou que o Brasil não atingirá as metas de inflação de 2025 e 2026, últimos anos do governo Lula (PT). Segundo ele, há um conflito entre a política fiscal do governo e a política monetária do Banco Central, dificultando o controle da inflação.
Mansueto destacou que, apesar dos juros altos e da previsão de baixo crescimento econômico, a inflação deve permanecer elevada. Ele questiona se o governo aceitará uma desaceleração econômica ou continuará adotando políticas que estimulam o consumo, o que pode gerar mais volatilidade nos próximos anos.
Medidas do governo aumentam a demanda
O economista citou duas iniciativas recentes do governo que colocam mais dinheiro em circulação:
- Mudança no saque-aniversário do FGTS, permitindo o resgate de mais de R$ 10 bilhões para trabalhadores demitidos.
- Nova linha de crédito consignado para o setor privado, que, embora positiva, pode aumentar o consumo em um momento inoportuno, já que os juros altos buscam justamente conter a demanda.
Com o mercado de trabalho ainda aquecido, o consumo segue elevado, mesmo com a previsão de desaceleração do crédito.
Incertezas sobre políticas econômicas afetam investimentos
Mansueto também apontou que a falta de clareza nas diretrizes econômicas do governo gera incertezas no mercado, afetando investimentos. Ele citou o Banco do Brasil como exemplo, destacando que, caso houvesse garantias de que o governo não interferiria nos bancos públicos, suas ações estariam mais valorizadas.
A preocupação central do economista é que, se a política fiscal continuar na contramão da política monetária, o Brasil pode enfrentar um cenário de inflação persistente e volatilidade econômica até o fim do governo Lula.