O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e elevou a estimativa para 2027, de acordo com o relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado nesta segunda-feira (19). Segundo o documento, o Produto Interno Bruto do Brasil deve crescer 1,6% em 2026, abaixo dos 1,9% previstos na edição de outubro, enquanto a estimativa para 2027 foi elevada de 2,0% para 2,1%.
As projeções do FMI para 2026 são mais conservadoras do que as do Ministério da Fazenda, que estima expansão de 2,4% do PIB, e também ficam abaixo da estimativa do Banco Mundial, que projetou crescimento de 2% para o mesmo ano, após revisão para baixo divulgada na semana passada.
Em entrevista coletiva para detalhar o relatório, a vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, afirmou que a revisão para baixo reflete os efeitos mais restritivos da política monetária sobre a atividade econômica. Em dezembro, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em 15% ao ano.
Segundo Brooks, o ambiente de juros elevados tem impactado especialmente os setores mais sensíveis ao custo do crédito, com desempenho abaixo do esperado na segunda metade do ano passado, efeito que tende a se estender para 2026. Ela destacou que a política monetária restritiva é considerada necessária para o controle da inflação.
A vice-diretora do FMI afirmou que esses efeitos devem se dissipar a partir de 2027, com a expectativa de início de um ciclo de cortes de juros pelo Copom e com a adoção de medidas de estímulo à atividade, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil.
O relatório do Banco Mundial divulgado recentemente também apontou a política monetária como um dos fatores para a revisão das projeções, citando o impacto das taxas de juros reais elevadas, além de incertezas relacionadas ao comércio internacional e ao cenário global.
No contexto regional, o FMI manteve a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2,2% para 2026 e elevou a estimativa para 2027 em 0,1 ponto percentual, para 2,7%, indicando que a recuperação deverá ocorrer à medida que as economias da região se aproximem de seu potencial.
Para a economia global, o FMI revisou para cima a projeção de crescimento em 2026, de 3,1% para 3,3%. Segundo a instituição, o aumento dos investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial, tem compensado parte dos impactos negativos decorrentes de choques comerciais associados às tarifas adotadas pelo governo dos Estados Unidos.









