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Haddad atribui avanço da dívida pública ao nível elevado dos juros reais

Ministro afirma que juros reais explicam dinâmica da dívida pública brasileira

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator por trás da trajetória da dívida pública brasileira é o patamar elevado dos juros reais da economia, e não o nível de gastos do governo. A declaração foi dada em entrevista ao programa UOL News.

Segundo Haddad, o governo reduziu de forma significativa o déficit primário nos últimos dois anos. Ele afirmou que o resultado fiscal vem melhorando de forma contínua, mesmo em um contexto de política monetária restritiva, e que a meta estabelecida para este ano é mais exigente do que as dos exercícios anteriores. De acordo com o ministro, mesmo considerando exceções fiscais, o déficit do ano passado ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB)

Haddad comparou o resultado com projeções de exercícios anteriores e afirmou que o desempenho recente indica que o déficit não é o principal determinante do crescimento da dívida. Na avaliação do ministro, a diferença está no custo real dos juros pagos pelo setor público.

Durante a entrevista, Haddad também defendeu que há espaço para a redução da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. Apesar disso, afirmou reconhecer os desafios enfrentados pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, especialmente em relação aos desdobramentos do caso do Banco Master. Segundo o ministro, o problema teve origem em gestões anteriores e vem sendo tratado com responsabilidade pela atual direção da autoridade monetária.

Questionado sobre críticas nas redes sociais relacionadas ao aumento de tributos, Haddad afirmou não se incomodar com o apelido recebido e disse considerar positivo ser associado à tributação de grupos que, segundo ele, historicamente pagavam menos impostos. O ministro citou medidas como a taxação de offshores, fundos exclusivos, paraísos fiscais e dividendos.

No campo político, Haddad afirmou que a economia não deve ser o fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, tanto no Brasil quanto em outros países. Segundo ele, pesquisas indicam que temas como segurança pública e combate à corrupção têm maior peso para o eleitorado. O ministro também disse que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições e que o assunto vem sendo tratado em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem definição até o momento.

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