O Banco Inter revisou seu cenário para a política monetária brasileira e adiou a expectativa de início do ciclo de cortes da taxa Selic de janeiro para março, além de reduzir a magnitude esperada da flexibilização ao longo do período. Segundo o banco, a taxa básica de juros deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, acima da projeção anterior de 12%.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, afirmou que a revisão reflete a desaceleração mais lenta da inflação e a permanência de riscos fiscais no horizonte. De acordo com ela, o tom mais conservador adotado recentemente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e a ausência de novos sinais de melhora no cenário devem levar o colegiado a manter a taxa de juros inalterada por mais tempo, postergando o início dos cortes.
Apesar disso, o banco avalia que a política monetária segue em nível restritivo e que a inflação continua em trajetória de convergência para a meta, ainda que de forma gradual. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 em 4,26%, com o resultado de dezembro levemente abaixo das expectativas. Já o Relatório Focus indica projeções de IPCA de 4,02% para este ano e de 3,80% para 2027, patamares ainda acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
No cenário doméstico, o Inter destaca que o ambiente eleitoral tende a elevar a volatilidade, sobretudo diante da possibilidade de maior pressão por gastos públicos, o que mantém o risco fiscal elevado e dificulta uma reancoragem mais rápida das expectativas de inflação. Segundo o banco, esse contexto limita o espaço para cortes mais intensos da Selic, a menos que haja combinação de câmbio mais favorável e sinalização de um ajuste fiscal mais robusto a partir de 2027.
Mesmo com a revisão na trajetória dos juros, o Inter manteve suas projeções para a inflação, estimando IPCA de 3,9% em 2026 e de 3,4% em 2027, embora ressalte que o cenário é de incerteza acima do usual. O banco avalia que a política monetária restritiva e a menor oferta de crédito devem contribuir para uma moderação do consumo, compensando um mercado de trabalho ainda resiliente.
Em relação à atividade econômica, o Inter projeta desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento de 1,8% em 2026, após expansão estimada em 2,2% em 2025. A instituição também mantém a previsão de déficit primário em 0,7% no próximo ano, considerando despesas fora da meta, como precatórios, e avalia que essa tendência pode persistir caso não haja medidas de controle das despesas obrigatórias.
No cenário internacional, o banco avalia que não há fundamentos macroeconômicos que justifiquem um corte de juros pelo Federal Reserve na decisão de janeiro, diante da resiliência do mercado de trabalho e de dados econômicos mistos. Assim, o Inter projeta que o próximo corte de juros nos Estados Unidos ocorra apenas em março, enquanto as decisões para o restante de 2026 dependerão da definição sobre a sucessão no comando da autoridade monetária norte-americana.










