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Apenas 19% dos brasileiros guardam recursos para o futuro

Dados do IBGE e da Anbima mostram descompasso entre demografia e planejamento

O avanço do envelhecimento da população brasileira já deixou o campo das projeções e passou a moldar a realidade demográfica do país. Em 2023, pela primeira vez, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais superou o número de jovens entre 15 e 24 anos. As estimativas indicam que esse movimento tende a se intensificar nas próximas décadas, com a expectativa de que, por volta de 2042, os idosos se tornem a maior faixa etária da população nacional.

Apesar dessa transformação estrutural, o planejamento financeiro para a aposentadoria permanece fora da rotina da maior parte dos brasileiros. Levantamento realizado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha aponta que, entre os brasileiros com mais de 16 anos que ainda não se aposentaram, apenas uma parcela reduzida já iniciou algum tipo de reserva voltada ao período pós-carreira. Esse grupo representa menos de um quinto da população economicamente ativa, mesmo diante da perspectiva de uma vida mais longa.

Especialistas em longevidade observam que a dificuldade não está apenas na escolha de produtos financeiros, mas na ausência de uma visão estruturada sobre o futuro. Para Marcos Ferreira, especialista no mercado securitário e cofundador da Silver Hub, o aumento da expectativa de vida exige uma mudança na forma como a aposentadoria é encarada. Segundo ele, essa etapa deixou de ser apenas o encerramento da vida profissional e passou a representar um período potencialmente longo, que demanda recursos para preservar autonomia, qualidade de vida e acesso contínuo a cuidados de saúde.

Nesse contexto, Ferreira destaca que a organização financeira deve começar ainda na fase ativa da carreira, com foco na criação de bases sólidas para o longo prazo. Ele ressalta que os gastos com saúde tendem a se concentrar de forma mais intensa a partir dos 60 ou 70 anos, o que impõe a necessidade de preparação específica para esse momento da vida. A ausência desse planejamento pode ampliar vulnerabilidades justamente quando a capacidade de geração de renda é menor.

O especialista observa que o maior risco está em postergar decisões. Mesmo quando o processo de organização financeira começa mais tarde, ele afirma que o acompanhamento profissional e o uso de ferramentas de controle financeiro podem ajudar a estruturar estratégias viáveis. O monitoramento contínuo do orçamento doméstico e dos investimentos é apontado como um elemento central para ajustes ao longo do tempo.

A preparação para a aposentadoria, segundo Ferreira, deve ser entendida como um exercício de longo prazo, que pode se estender por várias décadas, dependendo da idade em que se inicia o planejamento. Quanto mais cedo esse processo começa, menor tende a ser o esforço financeiro mensal necessário e maior o efeito acumulado dos rendimentos ao longo do tempo. Em um país que envelhece de forma acelerada, a organização financeira para o futuro passa a ser tratada como uma necessidade estrutural, e não mais como uma decisão opcional.

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