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Ibovespa supera 170 mil pontos pela primeira vez com fluxo externo e blue chips

Recorde histórico do Ibovespa reflete queda do dólar, recuo dos juros e realocação global de portfólios

O Ibovespa alcançou um novo recorde histórico nesta quarta-feira ao ultrapassar, pela primeira vez, o patamar dos 170 mil pontos, em um movimento marcado por forte entrada de capital estrangeiro, valorização de ações de grande peso e melhora no ambiente externo. No pico do dia, o índice chegou a 170.146,28 pontos, com avanço superior a 2%, em um pregão de desempenho amplamente positivo para os ativos locais.

O movimento ocorreu em um contexto de apreciação do real e alívio nas taxas de juros. O dólar comercial recuou para a região de R$ 5,32, enquanto os juros futuros cederam ao longo da curva, ampliando a atratividade relativa da bolsa brasileira. Parte desse cenário foi influenciada por fatores externos, em especial a redução da exposição de investidores globais a ativos dos Estados Unidos, diante de incertezas geopolíticas e comerciais.

Segundo avaliações de mercado, a realocação de portfólios internacionais tem favorecido mercados emergentes. Analistas do JPMorgan destacaram que o Brasil está bem posicionado nesse processo, em meio à busca por diversificação global. Apenas no início de janeiro, o mercado à vista brasileiro já registrou entradas líquidas superiores a R$ 7 bilhões de investidores estrangeiros, reforçando o movimento observado ao longo do ano anterior.

O ambiente externo ganhou novo impulso após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. O tom menos confrontacional em relação à Groenlândia contribuiu para reduzir a percepção de risco global e estimulou a demanda por ativos de maior risco, movimento que se refletiu tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado brasileiro, com continuidade do recuo do dólar e dos juros futuros.

No cenário doméstico, o noticiário político também entrou no radar dos investidores. Pesquisas eleitorais recentes passaram a ser incorporadas aos preços dos ativos, em um ambiente de maior sensibilidade a sinais relacionados à disputa presidencial. Esse fator se somou ao contexto externo mais favorável e ao fluxo financeiro para sustentar o avanço do índice.

A alta do Ibovespa foi amplificada pela valorização das chamadas blue chips. As ações da Vale avançaram cerca de 3%, enquanto a Petrobras registrou ganhos próximos de 4%. Os grandes bancos também tiveram desempenho positivo, com altas de até 2%, reforçando o impacto no índice. Levantamentos setoriais indicam que o desempenho do início de 2026 tem sido puxado por um grupo concentrado de empresas, com destaque para companhias ligadas a commodities, infraestrutura, siderurgia, petróleo e sistema financeiro, algumas delas alcançando máximas históricas recentes.

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