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Juros elevados seguem pressionando a confiança do empresário industrial

Empresários veem melhora nas expectativas, apesar de avaliação negativa do cenário atual

A confiança dos empresários industriais iniciou 2026 em patamar inferior ao nível considerado neutro, apesar de uma leve melhora na margem. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) avançou 0,5 ponto em janeiro, alcançando 48,5 pontos, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mesmo com o avanço mensal, o resultado representa o pior nível de confiança para um mês de janeiro nos últimos dez anos, desconsiderando o período mais agudo da recessão econômica. O indicador varia de 0 a 100 pontos, e leituras abaixo de 50 indicam percepção negativa por parte dos empresários.

A avaliação do cenário atual segue como o principal fator de pressão sobre o índice. O componente que mede as condições presentes subiu 0,2 ponto, para 44 pontos, mas permaneceu distante da zona de neutralidade. O resultado reflete a leitura predominante de que a situação da economia e dos próprios negócios está pior do que há seis meses.

Dentro desse subíndice, houve melhora na percepção sobre o desempenho das próprias empresas, que avançou 0,8 ponto, para 47 pontos. Em contrapartida, a avaliação da economia brasileira recuou 1,1 ponto, atingindo 38 pontos, o nível mais baixo entre os componentes analisados.

As expectativas para os próximos meses mostraram sinal mais favorável. O Índice de Expectativas subiu 0,7 ponto em janeiro, passando de 50 para 50,7 pontos, o que indica retorno marginal do otimismo em relação ao horizonte de seis meses. Esse movimento foi sustentado principalmente pela projeção positiva para o desempenho das próprias empresas, que avançou 1,2 ponto, para 54,8 pontos.

Já as expectativas em relação à economia permaneceram negativas, com recuo de 0,4 ponto, para 42,5 pontos, indicando cautela quanto ao ambiente macroeconômico.

De acordo com a CNI, o nível elevado da taxa Selic tem sido um dos principais fatores por trás da perda de confiança observada desde 2025, à medida que seus efeitos passaram a ser mais perceptíveis sobre a atividade econômica e o ritmo dos negócios industriais.

A pesquisa de janeiro ouviu 1.058 empresas entre os dias 5 e 9 do mês, sendo 426 de pequeno porte, 383 médias e 249 grandes, abrangendo diferentes segmentos da indústria brasileira.

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