O mercado financeiro brasileiro operou com desempenho positivo nesta sessão, refletindo um ambiente internacional mais favorável ao risco e a intensificação do fluxo de recursos para ativos locais. O dólar apresentou queda frente ao real, mesmo com o índice DXY próximo da estabilidade, após a forte baixa registrada no dia anterior. Já o Ibovespa avançou pelo quarto pregão consecutivo e superou, pela primeira vez, o patamar dos 170 mil pontos, em um movimento acompanhado por recuo expressivo dos juros futuros.
Segundo o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o enfraquecimento da moeda americana no mercado doméstico ocorreu em meio a um cenário externo mais construtivo. A acomodação dos rendimentos dos títulos públicos japoneses contribuiu para aliviar a pressão sobre as curvas de juros globais, com reflexo direto na queda dos yields dos Treasuries, reduzindo a atratividade relativa do dólar.
No campo político e geopolítico, Shahini avalia que o tom mais moderado adotado por Donald Trump durante discursos em Davos ajudou a diminuir os prêmios de risco globais. Esse fator reforçou o apetite por ativos de maior risco e favoreceu moedas e mercados acionários de países emergentes.
No Brasil, além do ambiente externo, o câmbio foi sustentado por elevados fluxos globais direcionados a ativos locais e emergentes neste início de ano. De acordo com o analista, esse movimento tem sido um dos principais vetores de valorização do real, mesmo em um contexto de dólar relativamente estável no mercado internacional.
A Bolsa brasileira acompanhou esse movimento, com o Ibovespa registrando nova máxima histórica. A alta foi liderada pelas blue chips, com destaque para a Petrobras, que concentrou fluxo relevante e elevou seu valor de mercado ao maior nível desde abril do ano passado. O desempenho reflete a continuidade da entrada de capital estrangeiro na Bolsa, em meio a uma rotação global favorável aos mercados emergentes.
No cenário doméstico, Shahini observa que pesquisas eleitorais indicando avanço do candidato da oposição também contribuíram para melhorar a percepção de risco local. A combinação desses fatores consolidou um pregão marcado por recorde na Bolsa, dólar no menor nível do ano e forte movimento de queda dos juros futuros.









