A liquidação do Will Bank, anunciada nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central, marca o encerramento definitivo de uma das principais apostas digitais vinculadas ao colapso do Banco Master. A decisão foi tomada após o regulador concluir que não havia condições para a continuidade da instituição nem avanço concreto nas negociações para sua venda.
Criado em 2017 com foco em inclusão financeira, o Will Bank construiu sua base de clientes oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade e serviços digitais voltados a públicos fora do sistema bancário tradicional. A estratégia, apoiada em forte presença em televisão e redes sociais, impulsionou a expansão da fintech especialmente no Nordeste, onde concentrou parte relevante de sua operação. No ano passado, a instituição chegou a cerca de 9 milhões de clientes.
O banco digital foi adquirido pelo Banco Master no início de 2024, quando possuía aproximadamente 6 milhões de clientes e havia registrado faturamento de R$ 2,8 bilhões no ano anterior. A incorporação fazia parte de um plano de expansão do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro, que buscava ampliar presença no mercado de serviços financeiros digitais.
A relevância estratégica do Will Bank ficou ainda mais evidente quando o BRB anunciou, em março de 2025, a intenção de adquirir o Banco Master. À época, o discurso oficial apontava o banco digital como uma possível porta de entrada para o fortalecimento da atuação do BRB nas classes C e D. A operação, no entanto, foi rejeitada pelo Banco Central em setembro.
Em novembro, após avaliar que a situação do Master era irreversível, o regulador decretou a liquidação da instituição. Diferentemente do banco controlador, o Will Bank foi inicialmente preservado e colocado sob Regime de Administração Especial Temporária, mecanismo que permite a continuidade das operações enquanto se busca uma solução de mercado. A expectativa era de que a venda da fintech ajudasse a reduzir o passivo do grupo e as perdas do sistema financeiro.
O interesse de potenciais compradores, no entanto, não se materializou. Nomes como o apresentador Luciano Huck e o Mubadala Capital chegaram a avaliar o ativo, mas as negociações avançaram lentamente e acabaram não resultando em propostas concretas.
A situação se agravou nos últimos dias, quando a Mastercard suspendeu a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank após o banco deixar de honrar pagamentos de transações junto a participantes da indústria de cartões. A medida buscou impedir o aumento do passivo da instituição e reduziu ainda mais a viabilidade de sua continuidade.
No momento da liquidação, o Will Bank acumulava cerca de R$ 6,5 bilhões em Certificados de Depósito Bancário, segundo dados do Banco Central referentes a setembro de 2025. Esses investimentos são elegíveis ao ressarcimento pelo FGC, respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. A instituição também registrava, no fim do terceiro trimestre de 2025, ativos de R$ 14,2 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 76,2 milhões, apesar de ter reportado lucro líquido no período.









