A liquidação do Will Bank adicionou uma nova camada de pressão ao sistema financeiro e reacendeu negociações entre bancos e o Fundo Garantidor de Créditos para acelerar o reforço do caixa da entidade após o colapso do conglomerado Master. Com a inclusão do banco digital no processo, a conta total associada ao episódio se aproxima de R$ 50 bilhões, segundo estimativas discutidas no mercado.
Diante desse cenário, as instituições financeiras avaliam mecanismos para antecipar contribuições futuras ao fundo. A principal alternativa em negociação envolve trazer para o presente valores que seriam recolhidos ao longo de até 60 meses, redistribuindo esses aportes de forma parcelada, em diferentes tranches, para reduzir o impacto imediato sobre o caixa dos bancos.
Caso a antecipação das contribuições ordinárias não seja suficiente para recompor o nível de liquidez do FGC, o debate avança para uma elevação temporária das alíquotas pagas pelas instituições. Hoje, os bancos contribuem com 0,012% do patrimônio líquido. Esse percentual poderia ser elevado em até 50%, ampliando de forma relevante o custo sistêmico da crise.
Embora cerca de 250 instituições façam parte do sistema contributivo do FGC, a maior parcela do esforço recairá sobre os grandes bancos. Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal concentram a maior fatia dos depósitos garantidos e, por consequência, tendem a responder pela maior parte da capitalização adicional.
Estimativas preliminares indicam que cada um desses bancos pode ser chamado a aportar algo entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões, dependendo do desenho final do modelo de reforço do fundo. A discussão central, no momento, não é apenas o valor, mas o cronograma de desembolso, uma vez que até mesmo instituições de grande porte buscam diluir o impacto por meio de pagamentos escalonados.
O episódio reforça um traço estrutural do sistema de garantias: embora o FGC atue como mecanismo de proteção ao depositante, o custo final das falhas bancárias é redistribuído entre os próprios participantes do sistema. A crise do Master, nesse sentido, amplia o debate sobre incentivos, fiscalização preventiva e o equilíbrio entre proteção ao investidor e risco moral no setor financeiro.









