(Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional)
A Bolsa brasileira vem mostrando força mesmo em um cenário de juros elevados. Em 2025, o Ibovespa encerrou o ano em níveis recordes, e, em janeiro de 2026, o movimento continuou: voltou a renovar máximas, superando os 175 mil pontos. Só no início do ano, o índice acumula alta próxima de 9% em reais e cerca de 13% em dólares, colocando o Brasil entre os mercados com melhor desempenho global no período.
Esse movimento deixa claro que a renda variável continua atrativa, mesmo com a Selic ainda em 15%. A principal explicação está no fluxo de capital estrangeiro, que voltou a ganhar força. Só em janeiro de 2026, mais de R$ 12 bilhões entraram na Bolsa brasileira, em um momento de redução da exposição aos Estados Unidos e maior busca por diversificação em mercados emergentes.
O cenário externo tem ajudado. Um dólar mais fraco no mercado global e a valorização das commodities favorecem empresas relevantes do índice, como as exportadoras e os grandes bancos. Mesmo em semanas marcadas por tensões políticas internacionais e maior aversão ao risco, o mercado brasileiro conseguiu se descolar do pessimismo global e seguir em alta.
No ambiente doméstico, as empresas chegam mais preparadas. Nos últimos anos, houve corte de custos, foco em geração de caixa e menor alavancagem. Isso melhora os resultados e aumenta a confiança dos investidores. Além disso, cresce a expectativa de que os juros comecem a cair ao longo de 2026, fator que favorece a Bolsa.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece em 27 e 28 de janeiro de 2026, quando o Banco Central decidirá sobre a taxa Selic. A expectativa do mercado é de manutenção da Selic em 15%, com um possível início do ciclo de cortes para março, se os dados permitirem. Nesse cenário, apesar das altas recentes, as ações ainda não são vistas como caras, já que os valuations seguem abaixo da média histórica, indicando que o desempenho da Bolsa tende a depender mais de resultados das empresas, fluxo de capital e trajetória dos juros do que apenas do entusiasmo do mercado.
Para o investidor, a mensagem que deixo: juros altos não impedem a atratividade da renda variável. A Bolsa segue como uma alternativa relevante, tanto para quem está começando quanto para quem já investe há mais tempo, desde que a escolha seja feita com foco em empresas sólidas e visão de médio e longo prazo.
Finalizo com mais um alerta: o investidor que mantém um plano com constância e disciplina, não se deixa levar pela ansiedade nas quedas do mercado. Ele confia na própria estratégia, entende que oscilações fazem parte do caminho e sabe que os resultados vêm no longo prazo justamente por seguir esse plano com foco. É essa postura que separa um investidor apostador de um investidor maduro.









