A inflação medida pela prévia oficial apresentou avanço no início do ano, conforme dados divulgados pelo IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – 15 registrou alta de 0,20% em janeiro, resultado inferior ao observado em dezembro de 2025, quando a variação foi de 0,25%, e acima do índice apurado em janeiro do ano passado, de 0,11%. O número também ficou abaixo do registrado em janeiro de 2024, quando o indicador avançou 0,31%.
O resultado mensal ficou abaixo da mediana das projeções de analistas consultados pelo Valor Data, que apontava alta de 0,23%. As estimativas coletadas variavam entre 0,17% e 0,36%, indicando dispersão relevante nas expectativas do mercado para o comportamento dos preços no período.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 passou a registrar variação de 4,50% em janeiro, acima dos 4,41% observados até dezembro. Ainda assim, o resultado ficou levemente abaixo da mediana das estimativas do mercado, que indicava inflação de 4,52% no período, dentro de um intervalo que ia de 4,45% a 5,35%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central para 2026 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Entre os itens que mais pressionaram o índice no mês, a gasolina exerceu a principal influência positiva, ao registrar alta de 1,01% e impacto de 0,05 ponto percentual no resultado geral. No sentido oposto, a energia elétrica residencial apresentou queda de 2,91%, contribuindo com impacto negativo de 0,12 ponto percentual e ajudando a conter o avanço do índice.
A análise por grupos de despesas mostra comportamento misto. Das nove classes que compõem o IPCA-15, cinco apresentaram aceleração entre dezembro e janeiro. Alimentação e Bebidas passou de 0,13% para 0,31%, enquanto Artigos de Residência saiu de queda de 0,64% para alta de 0,43%. O grupo Saúde e Cuidados Pessoais avançou de -0,01% para 0,81%, Educação passou de estabilidade para alta de 0,05%, e Comunicação registrou aceleração de 0,01% para 0,73%.
Por outro lado, quatro grupos apresentaram desaceleração ou variação negativa. Habitação passou de alta de 0,17% em dezembro para recuo de 0,26% em janeiro. Vestuário teve desaceleração de 0,69% para 0,28%, Transportes saiu de alta de 0,69% para queda de 0,13%, e Despesas Pessoais desacelerou de 0,46% para 0,28%.
Entre os subitens, o IBGE destacou a redução de 8,92% nos preços das passagens aéreas, que contribuiu para o recuo do grupo Transportes, além da queda da energia elétrica residencial, responsável pelo resultado negativo observado em Habitação.
O IPCA-15 é calculado a partir de uma cesta de consumo representativa de famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos. A coleta de preços abrange nove regiões metropolitanas, além de Brasília e do município de Goiânia. Em relação ao IPCA cheio, a principal diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica utilizada no cálculo.
Os dados também indicaram maior disseminação dos reajustes de preços no início do ano. O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com aumento de preços no período, subiu de 54,5% em dezembro para 63,5% em janeiro. Excluindo os alimentos, grupo considerado mais volátil, o indicador avançou de 50,2% para 65,9%, segundo cálculos do Valor Data com base nos itens da cesta do IPCA-15.










