A política monetária dos Estados Unidos entrou em compasso de espera nesta quarta-feira, 28, quando o Federal Reserve decidiu preservar a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A medida marca uma pausa após uma sequência de cortes iniciada em setembro do ano passado, encerrando temporariamente o movimento de afrouxamento monetário.
A decisão foi tomada pelo Federal Open Market Committee e já era amplamente antecipada pelos agentes financeiros. Dados da plataforma do CME Group indicavam probabilidade superior a 97% de manutenção das taxas, refletindo o consenso formado em Wall Street antes da chamada “superquarta”, que concentrou definições de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
O banco central americano tem mantido postura cautelosa diante do cenário econômico e das pressões vindas do Executivo. O presidente do Fed, Jerome Powell, vem resistindo publicamente às cobranças do presidente Donald Trump por uma retomada mais agressiva dos cortes de juros.
Nos últimos dias, o ambiente institucional ganhou novos elementos de tensão. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal relacionada ao depoimento de Powell ao Congresso, prestado no ano anterior, sobre os custos da reforma da sede do Fed. O projeto teve gastos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas.
A abertura da investigação ampliou a cautela dos investidores quanto a possíveis tentativas de interferência política sobre a atuação do banco central. Em meio a esse cenário, a decisão de manter os juros inalterados foi interpretada pelo mercado como um sinal de continuidade da estratégia de autonomia institucional do Fed, mesmo sob um ambiente político mais pressionado.









