A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano reforçou a posição do Brasil entre as economias com maior custo real do dinheiro no mundo. O país segue ocupando a segunda colocação no ranking global de juros reais, ficando atrás apenas da Rússia, segundo levantamento elaborado pelo Portal MoneYou em parceria com a Lev Intelligence.
De acordo com o estudo, a taxa real brasileira recuou de 9,44% ao ano em dezembro para 9,23% em janeiro. O movimento foi influenciado principalmente pela revisão das expectativas de inflação para os próximos 12 meses, que passaram de 4,06% para 3,98%, conforme os dados mais recentes do boletim Focus. O cálculo considera a diferença entre os juros de mercado projetados para um ano à frente e a inflação esperada no mesmo período.
Na Rússia, o comportamento foi oposto. Os juros reais avançaram de 7,89% para 9,88% ao ano no mesmo intervalo, colocando o país no topo do ranking. Com isso, o diferencial entre as duas economias se estreitou, ainda que o Brasil permaneça entre os líderes globais em termos de taxa real.
O levantamento compara 40 países e aponta que o Brasil mantém juros reais superiores aos observados em economias como Argentina, com 7,63%, Turquia, com 6,45%, e México, com 5,39%. A média dos juros reais dessas 40 economias é de 2,33% ao ano, o que evidencia o distanciamento do patamar brasileiro em relação ao cenário internacional.
Quando analisadas as taxas nominais, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking, atrás de Turquia, Argentina e Rússia. A Selic de 15% permanece acima das taxas observadas em países como Colômbia, México e África do Sul. No período analisado, a maior parte das economias manteve suas taxas inalteradas, enquanto uma parcela menor promoveu cortes e apenas uma fração residual elevou os juros.
Segundo a consultoria responsável pelo estudo, o ambiente doméstico ainda é marcado por incertezas inflacionárias, especialmente relacionadas à dinâmica fiscal. Esse fator continua sendo um elemento relevante para a condução da política monetária, mesmo diante de sinais de desaceleração da inflação em alguns segmentos da economia.









