A bolsa brasileira vem se consolidando como um destino relevante para o capital estrangeiro neste início de ano, em um ambiente marcado pela expectativa de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos e por sinais de moderação nas tensões comerciais envolvendo as principais economias globais. O movimento ocorre em um contexto em que o mercado local ainda é visto como descontado, com potencial de valorização ao longo do atual ciclo econômico.
Segundo Bruno Boccato, sales de renda variável da InvestSmart XP, a antecipação de um ciclo de flexibilização monetária tem sido um dos principais vetores de atração de recursos para a renda variável. Com juros ainda elevados, mas em trajetória de queda, o cenário favorece a migração gradual de recursos da renda fixa para a bolsa, ampliando as oportunidades para investidores.
Boccato observa que esse movimento não se restringe ao Brasil. Os mercados emergentes voltaram ao radar dos investidores globais como alternativa de alocação diante das incertezas políticas e econômicas observadas em outras regiões. Nesse ambiente, ativos de países com fundamentos mais sólidos e espaço para crescimento tendem a se beneficiar de forma mais consistente do fluxo internacional.
No caso brasileiro, além do efeito dos juros, fatores estruturais também reforçam a atratividade do mercado. A demanda global por commodities associadas à eletrificação e à inteligência artificial tem sustentado o interesse por empresas ligadas a esses segmentos, ampliando o potencial de valorização da bolsa local em comparação a outros mercados emergentes.
Apesar da possibilidade de maior volatilidade associada ao processo eleitoral de 2026, o analista avalia que o fundamento de alta do mercado acionário brasileiro permanece construtivo. A combinação de valuation atrativo, fluxo estrangeiro e tendências estruturais globais sustenta a percepção de elevado potencial de retorno ao longo do ciclo, ainda que com oscilações no curto prazo.










