A expansão do mercado de trabalho formal perdeu fôlego em 2025 e registrou o desempenho mais fraco desde o período crítico da pandemia. Dados divulgados nesta quinta-feira, 29, indicam que o país criou 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e dezembro, resultado inferior ao observado nos dois anos anteriores, segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
Ao longo do ano, foram contabilizadas 26,59 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos. Com isso, o total de trabalhadores formais passou de 47,1 milhões para 48,4 milhões, uma variação positiva de 2,71%. O ritmo de crescimento ficou abaixo do registrado em 2023, quando o avanço foi de 3,3%, e em 2024, quando alcançou 3,69%.
O encerramento do ano evidenciou uma deterioração mais acentuada do mercado formal. Em dezembro, o saldo foi negativo em 618 mil vagas, resultado pior do que o observado no mesmo mês de 2024 e equivalente a uma retração de 1,26% no estoque de empregos formais.
Apesar da desaceleração no resultado agregado, todos os grandes setores econômicos apresentaram saldo positivo de contratações no acumulado do ano. O setor de serviços liderou a geração de vagas, com a abertura de 758 mil postos, o que representa crescimento de 3,29%. Na sequência, o comércio respondeu pela criação de 247 mil empregos formais ao longo de 2025.
A análise regional mostra diferenças relevantes entre os estados. O maior crescimento proporcional ocorreu no Amapá, com alta de 8,4% no número de vínculos formais. Paraíba, com expansão de 6%, e Piauí, com 5,81%, também se destacaram. No extremo oposto, o Espírito Santo registrou o desempenho mais fraco, com aumento de apenas 1,52% no total de empregos com carteira assinada.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu o resultado mais fraco, especialmente no fim do ano, ao ambiente de juros elevados. Na véspera da divulgação dos dados, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, patamar que permanece desde meados de 2025.
Segundo o ministro, a política monetária restritiva tem limitado investimentos e contribuído para a desaceleração da atividade econômica, com reflexos diretos sobre a geração de empregos. Ele avaliou que os efeitos dos juros elevados tendem a se prolongar caso a redução das taxas demore a ocorrer, comprometendo o desempenho do mercado de trabalho ao longo do ano seguinte.
Marinho também comentou os impactos das medidas comerciais adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegaram a impor sobretaxas sobre produtos brasileiros. Na avaliação do ministro, os efeitos dessas medidas foram menores do que os provocados pelo custo elevado do crédito, em razão da estratégia de diversificação de mercados adotada pelo Brasil. Mesmo assim, a indústria, setor mais exposto ao cenário externo, criou 144 mil empregos formais em 2025.
A desaceleração do emprego com carteira assinada ocorre em paralelo a um mercado de trabalho ainda aquecido sob a ótica da desocupação. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a taxa de desemprego atingiu 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.









