Relatos de influenciadores do mercado financeiro trouxeram à tona uma tentativa de mobilização digital em torno da atuação do Banco de Brasília (BRB) no episódio envolvendo o Banco Master. Segundo esses profissionais, abordagens foram feitas para a produção de conteúdos nas redes sociais com o objetivo de apresentar a versão da instituição estatal sobre sua participação no caso, em um movimento que remete a campanhas virtuais ocorridas no fim de 2025, quando decisões do Banco Central passaram a ser questionadas publicamente após a liquidação do Master.
Durante a apuração, a agência Flap, especializada em live marketing e promoções, afirmou que os contatos partiram de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em estágio preliminar, sem submissão ou aval do Banco de Brasília. Segundo a empresa, uma agência terceirizada de gestão de campanhas digitais teria sido responsável pela interlocução com os influenciadores. Procurado, o banco não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

As abordagens ocorreram por e-mail e mensagens de WhatsApp, com pedidos de orçamento enviados na terça-feira, 27. A proposta previa a participação dos convidados em um almoço, em fevereiro, com o presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza. O encontro teria como finalidade apresentar explicações técnicas sobre medidas adotadas para mitigar impactos e detalhar ações de recuperação, além de reforçar a mensagem de transparência da instituição perante clientes e o mercado.

De acordo com os relatos, o pacote incluía a publicação de conteúdos no Instagram, como relatos em stories e vídeos em formato de reels, seguindo um roteiro previamente definido. O pagamento estaria condicionado à assinatura de contrato, com prazo de até 40 dias após a realização da ação.
O contexto é de desgaste institucional para o BRB após a aquisição de R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos do Banco Master e a tentativa frustrada de comprar participação na instituição, barrada pelo Banco Central do Brasil. Diante do impacto financeiro, o banco do Distrito Federal avalia alternativas para recompor capital, como aporte do governo local, uso de imóveis como garantia para operações com o Fundo Garantidor de Créditos ou a estruturação de um fundo imobiliário lastreado em ativos públicos.
Alguns influenciadores tornaram pública a recusa ao convite. Entre eles estão Murilo Duarte, conhecido como Favelado Investidor; Renata Barreto, sócia da Faz Capital; e Renato Breia, cofundador da Nord Investimentos. Outros profissionais do setor também foram procurados, como a jornalista Nathalia Arcuri, conforme confirmado por sua assessoria.
Nas manifestações públicas, os influenciadores destacaram desconforto com a proposta. Duarte afirmou não conhecer ninguém que tenha aceitado o convite e mencionou os impactos do caso Master sobre investidores que adquiriram CDBs do banco. Breia, por sua vez, questionou a necessidade de ações desse tipo, argumentando que instituições financeiras com estruturas formais de relações com investidores não deveriam recorrer a influenciadores para defender sua imagem.
O que diz a nota da agência Flap
A FLAP, agência de live marketing e promoções, esclarece que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB.
O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB. O propósito da iniciativa era ampliar o acesso à informação, promovendo transparência e permitindo que diferentes públicos tivessem contato com os esclarecimentos prestados pelo Banco.
Reiteramos que, em hipótese alguma, houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial. A agência respeita a independência dos profissionais que atuam em redes sociais.
Ressaltamos que a abordagem foi conduzida pela equipe da agência e seus fornecedores, sem qualquer participação de funcionários do Banco BRB.
A FLAP reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às boas práticas do mercado.










