
O empresário Roberto Justus afirmou que foi surpreendido ao tomar conhecimento de que o Banco Master figurava como um de seus principais sócios na Steelcorp desde 2023, informação que, segundo ele, só veio à tona após a deflagração da operação Carbono Oculto. Mais recentemente, Justus disse ter identificado que a participação acionária passou a estar sob controle do BRB.
Justus é controlador e diretor-presidente da Steelcorp, empresa do setor de construção modular em aço. A sociedade inclui um fundo de investimentos cujo cotista único era mantido sob sigilo, conforme relato do empresário. Até então, Justus declarava publicamente que a gestora Reag era sócia minoritária da companhia e que João Carlos Falbo Mansur representava a gestora no conselho de administração.
Registros da Junta Comercial de São Paulo indicam, porém, que a Reag não constou como sócia da empresa. A composição societária aponta Justus como sócio majoritário, ao lado da Potenza Administração e Empreendimentos, de Marcelo Pieruzzi, e do SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, cujo cotista único é o Banco Master. A Reag atuava como administradora do fundo.
A empresa foi constituída em julho de 2023, então sob o nome Dry Service Construction. Em outubro daquele ano, foi firmado um bônus de subscrição avaliado em R$ 75 milhões com o SH FIP, prevendo participação de até 30% no negócio. Segundo a documentação societária, os recursos seriam destinados à aquisição de equipamentos, capital de giro e à implantação de uma fábrica própria. Em julho de 2024, a companhia passou a adotar o nome Steelcorp e reconheceu formalmente a integralização dos valores aportados.
Em setembro de 2024, a Steelcorp protocolou comunicação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica informando a entrada do Banco Master na estrutura societária, por meio do fundo Dynamic, ligado a Daniel Vorcaro. O valor da operação não foi divulgado publicamente. A aprovação do Cade ocorreu após período de análise, e, segundo Justus, o acordo acabou sendo desfeito posteriormente.
A operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto do ano passado e apura a atuação de organizações criminosas no mercado financeiro, apontando a Reag como responsável pela administração e gestão de fundos investigados. Após a operação, Mansur foi destituído do conselho da Steelcorp, e a empresa notificou a gestora para obter informações sobre a identidade do cotista do SH FIP.
Na sequência, o fundo SH entrou em processo de liquidação e determinou a transferência de seu patrimônio para outro fundo, o SH II FIP, constituído em agosto. É nos documentos de liquidação registrados na Comissão de Valores Mobiliários que aparece a identificação do Banco Master como cotista. Dados da autarquia indicam que a transferência integral dos ativos, estimados em mais de R$ 526 milhões, ainda não foi concluída.
Com a diluição das participações ao longo do tempo, a parcela remanescente do fundo SH na Steelcorp, atualmente em 10%, passou a ser controlada pelo BRB. O banco tentou adquirir o Banco Master ao longo do ano passado, operação que foi impedida pelo Banco Central em setembro. Justus declarou não saber como a participação do Master foi transferida para o BRB.










