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Alta do IPCA-15 em fevereiro pressiona curva de juros e reforça cautela com taxa terminal da Selic

Economista avalia que composição do IPCA-15 reforça cautela do mercado com juros

A dinâmica recente da inflação reforça uma leitura de maior persistência dos preços e mantém o debate sobre os limites do ciclo de flexibilização monetária. A avaliação é de Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, ao analisar a composição do IPCA-15 divulgado para fevereiro.

Segundo a economista, mais do que o número cheio, o que chama atenção é a deterioração qualitativa do índice, especialmente nos componentes mais sensíveis à política monetária. Serviços voltaram a acelerar de forma relevante, sinalizando que a pressão inflacionária permanece concentrada em segmentos ligados à demanda e à dinâmica do mercado de trabalho. Esse comportamento dificulta a convergência da inflação para patamares próximos da meta no horizonte relevante.

Mônica Araújo destaca que o avanço do núcleo de inflação reforça essa leitura de resiliência. Mesmo com o índice de difusão estável, a aceleração dos núcleos indica que a pressão não está restrita a itens pontuais ou voláteis, mas distribuída em categorias que tendem a responder mais lentamente ao aperto monetário. Na visão da analista, esse conjunto de sinais mantém o Banco Central em posição delicada na condução da política de juros.

A economista também chama atenção para a aceleração dos bens duráveis, movimento que sugere perda de alívio em segmentos tradicionalmente mais sensíveis ao câmbio e às condições financeiras. Para ela, essa combinação reduz o espaço para uma leitura mais confortável da inflação no curto prazo e reforça a percepção de que o processo de desinflação segue irregular.

Apesar desse cenário, Mônica Araújo avalia que a precificação do início do ciclo de cortes da Selic não deve sofrer alterações imediatas, permanecendo a expectativa de redução de 0,50 ponto percentual na próxima reunião. O impacto mais relevante, segundo a analista, tende a ocorrer na taxa terminal do ciclo, que pode ser revista para cima diante da maior dificuldade de trazer a inflação para próximo da meta de 3%.

Na leitura da InvestSmart XP, a inflação resiliente prolonga o desafio da política monetária em equilibrar o início da flexibilização com a preservação da credibilidade do regime de metas. O cenário reforça a necessidade de um ciclo de cortes cauteloso, condicionado à evolução dos componentes mais persistentes da inflação ao longo dos próximos meses.

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