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Celular de Vorcaro registra mensagens para Moraes e tentativas de barrar prisão

Vorcaro enviou mensagem a Moraes perguntando se conseguiu "bloquear" antes de ser preso às 22h em Guarulhos

Às 7h19 do dia 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro enviou uma mensagem pelo WhatsApp ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O texto dizia: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” O banqueiro seria preso naquela mesma noite, às 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao tentar embarcar em jato particular com destino a Dubai, com escala prevista em Malta.

A troca de mensagens foi localizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante as investigações. Moraes respondeu à mensagem, mas o conteúdo das respostas não foi recuperado: o que se segue são três mensagens de visualização única, modalidade que apaga o conteúdo após a leitura pelo destinatário. Há ainda outro registro de contato entre o ministro e o banqueiro, datado de 1º de outubro de 2025, igualmente sem conteúdo disponível pela mesma razão. Segundo os investigadores, há também telefonemas registrados entre os dois.

Procurado pela reportagem, Moraes negou a existência das mensagens. Por meio da assessoria de imprensa do STF, o ministro afirmou não ter recebido as comunicações descritas e classificou a informação como inverídica. A defesa de Vorcaro não se manifestou.

A PF apurou que, na manhã do dia 17 de novembro, Vorcaro já tinha conhecimento do inquérito sigiloso que investigava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB, banco estatal do Distrito Federal, e que resultaria em sua prisão e na liquidação do Master. As investigações apontam que o banqueiro obteve acesso a essas informações por meio de invasão ilegal aos sistemas da Polícia Federal, além de dois procedimentos do Ministério Público sobre as fraudes.

Naquele mesmo dia, o Master realizou dois movimentos simultâneos. O primeiro foi uma tentativa de impedir a execução de qualquer medida cautelar: os advogados de Vorcaro protocolaram, às 15h47, uma petição na 10ª Vara Federal de Brasília, onde o inquérito tramitava sob sigilo, posicionando-se contra restrições que pudessem causar “prejuízo irreversível” ao conglomerado. O detalhe que chamou a atenção dos investigadores é que a petição foi direcionada exatamente à vara correta, apesar do sigilo. Para justificar o acesso à informação, a defesa citou uma reportagem do site O Bastidor que indicava onde tramitava o processo. Nas mensagens anexadas ao pedido de segunda prisão de Vorcaro, porém, os delegados incluíram diálogos do banqueiro com o editor do veículo, Diego Escosteguy, sustentando que o jornalista teria recebido pagamento para publicar a informação. O juiz Ricardo Leite havia determinado a prisão do banqueiro apenas 18 minutos antes da petição ser protocolada, em decisão restrita ao gabinete e aos investigadores.

O segundo movimento foi o anúncio, às 17h24, da venda do Master ao grupo Fictor por R$ 3 bilhões, em operação associada a investidores árabes não identificados. O comunicado não informava as condições do negócio nem a identidade dos compradores, com promessa de divulgação na sexta-feira seguinte. O banco operava contra o tempo: a venda ao BRB havia sido vetada em setembro e os recursos garantidos pelo FGC que sustentavam a captação via CDBs estavam se esgotando. A divulgação adicional prometida nunca ocorreu. Vorcaro foi preso naquela noite e o Banco Central decretou a liquidação do Master no dia seguinte, data em que a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero.

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