Destaque
DestaqueEmpresasNotícias

EMS adquire 100% da Medley e chega a 30% do mercado de genéricos no Brasil

EMS vence disputa com Sun Pharma, Hypera, Biolab e Aché pela Medley em transação avaliada em US$ 600 milhões

A farmacêutica brasileira EMS e a francesa Sanofi assinaram nesta sexta-feira um acordo definitivo para a transferência integral da Medley, uma das marcas mais reconhecidas no segmento de medicamentos genéricos no Brasil. O valor da transação não foi divulgado oficialmente pelas empresas, mas fontes de mercado avaliam o negócio em R$ 3,2 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 600 milhões. A operação ainda está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e ao cumprimento de outras condições de fechamento. Até a conclusão do processo regulatório, a Medley continuará sendo administrada pela Sanofi.

O processo de venda foi descrito como altamente competitivo. Segundo o jornal Valor Econômico, a Medley havia recebido propostas da indiana Sun Pharma e das brasileiras Hypera, Biolab e Aché antes de a EMS ser escolhida como compradora. Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, destacou em coletiva de imprensa que a conclusão do acordo, diante de um processo com tantos concorrentes de porte, representa uma conquista relevante para o grupo. Sanchez lembrou ainda que esta não é a primeira transação da EMS com a Sanofi: em 2023, a companhia brasileira havia adquirido a Dermacid, marca de sabonetes íntimos da empresa francesa, em negócio avaliado em R$ 366 milhões.

Para entender o peso da aquisição, é necessário contextualizar o que são os medicamentos genéricos e qual o seu papel no mercado brasileiro. Genéricos são produtos que contêm os mesmos princípios ativos, na mesma dosagem e forma farmacêutica dos medicamentos de referência — os chamados medicamentos de marca —, mas são comercializados com desconto mínimo de 35% em relação ao original. Sua produção é autorizada após o vencimento da patente do medicamento pioneiro, o que permite que outros laboratórios desenvolvam versões equivalentes com padrão terapêutico idêntico. No Brasil, o segmento é regulado pela Anvisa e representa hoje 40% do mercado total de medicamentos, com meta estabelecida pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares, a PróGenéricos, de alcançar 45,12% de participação.

A EMS já ocupa a liderança do mercado de genéricos no Brasil, com participação estimada entre 23% e 24%. Com a incorporação da Medley, o grupo projeta ampliar sua fatia para aproximadamente 30%, consolidando ainda mais sua posição de destaque no setor. Apesar do salto, Marcus Sanchez afirmou que a operação não configura concentração de mercado, argumento que deverá ser avaliado pelo Cade durante o processo de análise. O raciocínio se sustenta na pulverização do setor: de acordo com a PróGenéricos, há atualmente 102 laboratórios fabricando genéricos no Brasil, o que confere ao mercado um grau elevado de fragmentação mesmo com a presença de um líder com participação expressiva.

Do lado vendedor, a Sanofi justificou a decisão de se desfazer da Medley como parte de um reposicionamento estratégico. Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil, afirmou que o acordo está alinhado com a diretriz global da companhia de concentrar seus investimentos e sua capacidade técnica no desenvolvimento de medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas, segmentos de maior valor agregado e que demandam estrutura de pesquisa e desenvolvimento mais sofisticada do que o mercado de genéricos.

Carlos Sanchez, presidente do Conselho de Administração da EMS, classificou a Medley como um ativo estratégico complementar às operações do grupo, destacando a solidez da marca construída ao longo de décadas no mercado brasileiro. A Medley é reconhecida pelos consumidores como uma das referências em genéricos no país, o que representa um ativo intangível relevante além da capacidade produtiva e da carteira de produtos que integram o negócio.

Postagens relacionadas

1 of 600