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Petróleo a US$ 87 pressiona preço da gasolina e do diesel no Brasil com defasagem recorde

Petrobras ainda não reajusta combustíveis com petróleo a US$ 87, mas defasagem bate recorde histórico

A escalada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Irã, levou o barril a US$ 87 nesta sexta-feira e acendeu o alerta das entidades do setor de combustíveis sobre um possível reajuste nos preços da gasolina e do diesel no Brasil. A Petrobras, principal fornecedora do país, ainda não alterou seus preços e monitora a duração do conflito e o comportamento das cotações antes de tomar qualquer decisão.

A defasagem entre os preços praticados pela estatal e os valores do mercado internacional atingiu patamares recordes. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a Petrobras vende diesel no Brasil 64% abaixo do preço externo e gasolina 27% mais barata em relação ao mercado internacional, os maiores descolamentos já registrados na série histórica da entidade.

O cenário já produz efeitos no mercado interno. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes informou que distribuidoras vêm elevando os preços de fornecimento aos postos, movimento atribuído ao aumento dos custos nas etapas de refino, especialmente junto às refinarias privadas, e de importação. O parque de refino privado no Brasil inclui a Refinaria de Mataripe, controlada pela Acelen na Bahia, a Refinaria Clara Camarão no Rio Grande do Norte e a Refinaria da Amazônia. Essas unidades acompanham os preços internacionais, diferentemente da Petrobras, que mantém política própria de precificação.

A dependência de importações amplifica a exposição do mercado brasileiro à volatilidade externa. As compras externas respondem por aproximadamente 30% do consumo nacional de diesel e 10% da demanda de gasolina. A Abicom ressalta que as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, abastecidas via porto de Paranaguá, são as mais dependentes de refinarias privadas e de combustíveis importados. Segundo a entidade, as diferenças de preço entre regiões já podem superar R$ 1,00 por litro no diesel e R$ 0,40 por litro na gasolina.

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