Segundo apuração do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso pela segunda vez na terceira fase da Operação Compliance Zero, passou a considerar com seriedade a possibilidade de firmar um acordo de colaboração premiada.
A discussão sobre o tema teve início em janeiro, mas era tratada como uma alternativa distante e ainda pouco concreta pela equipe do banqueiro. Com a segunda prisão, a avaliação mudou e a delação ganhou peso real nas deliberações internas da defesa.
A estratégia delineada até o momento, ainda de acordo com Lauro Jardim, aponta para um acordo a ser negociado diretamente com a Polícia Federal, e não com a Procuradoria-Geral da República. A escolha da instância não é casual: a avaliação do entorno de Vorcaro é de que, no âmbito da PGR, haveria menos receptividade para que uma proposta de colaboração fosse aceita nas condições pretendidas pelo banqueiro. A Polícia Federal, por conduzir operacionalmente as investigações desde a primeira fase da operação, é vista como o interlocutor mais adequado para uma negociação desse tipo.
Caso a delação avance para uma etapa concreta de negociação, parte da equipe de defesa de Vorcaro deverá ser substituída. A mudança refletiria a necessidade de advogados com perfil e experiência específicos para conduzir acordos de colaboração premiada, modalidade que exige estratégia jurídica distinta da defesa criminal convencional.
Uma delação de Vorcaro teria potencial de ampliar significativamente o alcance das investigações, dado o volume de informações que o banqueiro detém sobre políticos, servidores públicos e operadores financeiros envolvidos no esquema do Banco Master. Os nomes já mencionados nas fases anteriores da operação, incluindo dirigentes do Banco Central e parlamentares, poderiam ser aprofundados em um eventual acordo de colaboração.









