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Especialistas apontam ações internacionais para março de 2026 com Wall Street sob pressão

Quem acompanha os mercados internacionais nos últimos meses sabe que a palavra de ordem tem sido uma só: volatilidade. Tarifas, inteligência artificial, dados econômicos contraditórios e resultados corporativos ora animadores, ora decepcionantes. Mas é justamente nesse ambiente que surgem as melhores oportunidades — para quem sabe onde olhar.

A carteira de BDRs da Empiricus Research para março foi revisada com essa lógica em mente. E as mudanças contam uma história interessante sobre o momento atual do mercado global.

O que aconteceu com a bolsa americana em fevereiro

A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 chegou ao fim com um saldo melhor do que o esperado. Das empresas do S&P 500 que já divulgaram seus balanços, 73% superaram as projeções dos analistas, com crescimento consolidado de 14,2% nos lucros — quase o dobro dos 8,3% que o mercado projetava no final de dezembro.

Será o décimo trimestre consecutivo de crescimento de lucros do índice, e o quinto com expansão acima de dois dígitos. Os setores que mais brilharam foram Tecnologia da Informação (+26,1%), Serviços de Comunicação (+20%) e Financeiro (+14,1%). O único a registrar queda foi o de Energia (-9,3%).

E as famosas “7 Magníficas”? Crescimento de lucros de 27,2% — ante uma projeção inicial de 20,1%. As outras 493 empresas do S&P cresceram 9,8%, o dobro do esperado.

No papel, parece ótimo. Na prática, o mercado não reagiu tão bem assim.

Por que bons resultados geraram quedas nas ações?

A resposta está nos investimentos para o futuro. As gigantes de tecnologia anunciaram planos de gastos em infraestrutura para 2026 que chegam a US$ 650 bilhões — um crescimento de aproximadamente 60% em relação ao ano anterior.

Para ter uma ideia da escala: Amazon gastou US$ 128 bilhões em 2025 (+65%), Alphabet US$ 91 bilhões (+74%) e Meta US$ 69 bilhões (+87%). E para 2026, a previsão é gastar ainda mais.

O mercado ficou dividido. Alguns investidores enxergaram esses gastos como aposta necessária numa tecnologia transformadora. Outros começaram a questionar: até onde vai o retorno sobre esse investimento?

O contraste ficou evidente num único dia em que Meta e Microsoft divulgaram resultados simultâneos — ambas com lucros acima do esperado e forte aumento no capex. A Meta subiu 10%. A Microsoft despencou mais de 12%. A diferença? A Meta projetou receita acima do consenso para o próximo trimestre. A Microsoft entregou perspectivas levemente abaixo do esperado para o seu segmento de nuvem.

A IA que assustou o mercado de software

Em paralelo aos resultados, um evento no campo tecnológico gerou ondas de choque: o lançamento de novas ferramentas de Inteligência Artificial no final de janeiro abalou profundamente o setor de software.

Empresas que eram consideradas “seguras” por muitos investidores — com receita recorrente, alta fidelização de clientes e baixa rotatividade — viram suas ações caírem entre 20% e 40% em questão de semanas. O mercado começou a questionar se a IA não estaria corroendo as vantagens competitivas que tornavam essas empresas tão previsíveis e lucrativas.

Do outro lado, as empresas de infraestrutura para IA — especialmente semicondutores — continuaram se valorizando, beneficiadas pela demanda crescente por poder computacional.

Resultado: a relação entre os índices de software e semicondutores atingiu o menor nível dos últimos cinco anos.

Para os analistas da Empiricus, essa distorção criou uma oportunidade tática relevante. Nem todas as empresas de software estão fadadas ao declínio — e o mercado pode ter exagerado na punição de algumas delas.

O cenário macro: boas notícias que complicam a vida do Fed

A economia americana continua surpreendendo positivamente — mas isso tem um custo.

O mercado de trabalho criou 130 mil novos empregos em janeiro, bem acima das projeções de 55 mil. A taxa de desemprego recuou para 4,3%. São números que mostram uma economia aquecida.

O PIB do quarto trimestre de 2025 cresceu 1,4% — abaixo dos 2,5% esperados, mas com um detalhe importante: a paralisação do governo federal subtraiu 1 ponto percentual do resultado. Sem esse efeito, os números seriam muito mais sólidos.

O problema é a inflação. O PCE — índice preferido do Fed para medir os preços ao consumidor — subiu 2,9% no acumulado do ano, acima da meta de 2%. O núcleo avançou 3,0%. Enquanto isso, o banco central americano fica numa posição delicada: a economia está bem, mas os preços ainda não cederam o suficiente para justificar cortes de juros.

O imbróglio das tarifas — de novo

A Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas recíprocas impostas por Trump, entendendo que a lei usada para aplicá-las não autorizava tributos de alcance global sem aprovação do Congresso. O mercado comemorou.

No dia seguinte, Trump anunciou novas tarifas de 15% (antes eram 10%), com início imediato. A Europa respondeu que sairia do acordo firmado anteriormente com os EUA. O mercado voltou a cair.

A novidade é que a nova lei utilizada (Seção 122 do Trade Act de 1974) tem prazo máximo de 150 dias e qualquer extensão exige aprovação do Congresso — diferente do mecanismo anterior, que era de duração indefinida. Isso pode ser tanto um limite quanto uma nova fonte de incerteza.

O efeito prático para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, é positivo: a instabilidade americana tem desviado fluxo de capital para outros destinos, e o Brasil tem sido um dos mais beneficiados.

As mudanças na carteira de BDRs para março

Com esse pano de fundo, os analistas fizeram ajustes cirúrgicos na carteira — realizando lucros em ativos que valorizaram bastante e reposicionando em empresas com melhor ponto de entrada.

Reduções:

  • Amazon (AMZO34): de 15% para 10% — realização parcial após forte valorização
  • Berkshire Hathaway (BERK34): de 15% para 10% — cautela antes dos resultados e incerteza sobre a transição de gestão com a saída de Buffett
  • Taiwan Semiconductor (TSMC34): de 10% para 5% — realização de lucro após alta de 16,6% no ano; convicção mantida, peso reduzido

Aumentos:

  • Alphabet (GOGL34): de 10% para 15% — a queda recente criou ponto de entrada atrativo em empresa com fundamentos sólidos
  • Microsoft (MSFT34): de 5% para 10% — ação caiu quase 20% após o resultado; os fundamentos não mudaram
  • Visa (VISA34): de 10% para 15% — resultado acima do esperado pelo terceiro trimestre consecutivo, mas ainda negocia perto das mínimas de P/L dos últimos cinco anos

As 10 apostas internacionais para março

🌐 Alphabet (GOGL34) — O gigante que o mercado puniu sem motivo claro

Dona do Google, YouTube e Google Cloud, a Alphabet segue como uma das empresas mais sólidas do planeta. O Google Cloud cresceu mais de 30% nos últimos trimestres. O modelo Gemini já processa 7 bilhões de tokens por minuto. São 750 milhões de usuários mensais ativos no app e mais de 325 milhões de assinaturas pagas.

A queda recente das ações? Oportunidade, na visão dos analistas. Os fundamentos não mudaram — o preço sim.

💻 Microsoft (MSFT34) — Queda de 20% que não faz sentido nos números

Criar o sistema operacional que colocou um computador em cada lar foi apenas o começo. Hoje, a Microsoft é uma das principais apostas no desenvolvimento da IA corporativa — com o Copilot prometendo adicionar até US$ 14 bilhões em receita anual caso apenas 10% de seus clientes corporativos adotem a ferramenta.

O mercado puniu as ações após perspectivas levemente abaixo do esperado para o Azure. Mas os fundamentos seguem intactos — e a queda criou um ponto de entrada raro para um dos melhores ativos do mundo.

💳 Visa (VISA34) — A empresa que processa o dinheiro do mundo inteiro

257,5 bilhões de transações em um único trimestre. 4,9 bilhões de cartões em circulação. Crescimento de receita e lucro acima de 10% pelo terceiro trimestre consecutivo. E tudo isso sem assumir risco de crédito — a Visa apenas cobra uma tarifa por transação, não empresta dinheiro.

Mesmo com esse histórico, a ação negocia perto das mínimas de múltiplo P/L dos últimos cinco anos. Um dos pontos de entrada mais atrativos em anos.

🛒 Amazon (AMZO34) — A maior empresa de varejo do mundo ainda tem muito a entregar

A Amazon ultrapassou o Walmart em receita anual pela primeira vez — com quase US$ 720 bilhões. Mas o grande motor de valor não é o e-commerce: é a AWS, que deve crescer 18% em 2025 e segue sendo a principal plataforma de nuvem do mundo para empresas que querem escalar com IA.

A redução de peso na carteira foi tática, não uma mudança de convicção.

📱 Alibaba (BABA34) — O gigante chinês que o mercado esqueceu

Mais de 50% de market share no e-commerce chinês. Alibaba Cloud crescendo. Ecossistema de IA se desenvolvendo. Chips próprios para treinamento de modelos de linguagem já em teste comercial.

E mesmo assim, as ações voltaram para os níveis de 2021 — enquanto a receita multiplicou por dez e o lucro líquido quase quintuplicou no mesmo período. A desconexão entre preço e fundamentos raramente fica tão óbvia.

🚗 Baidu (BIDU34) — O Google chinês que aposta no carro autônomo

Líder em buscas na China, a Baidu também é referência em IA e mobilidade autônoma. Sua plataforma Apollo Go já realizou mais de 9 milhões de viagens sem motorista no país. O modelo é asset-light — cresce sem precisar de muito capital próprio.

Com P/L de apenas 15x e a melhor performance da carteira no ano (+13,4%), é uma das apostas menos óbvias — e possivelmente das mais interessantes.

🏦 Berkshire Hathaway (BERK34) — O seguro da carteira num mundo incerto

Seguros, varejo, transportes, indústria — e ainda uma carteira de ações de quase US$ 264 bilhões. A Berkshire é a diversificação perfeita dentro de uma única posição. Mesmo com a saída de Warren Buffett da presidência para dar lugar a Greg Abel, a máquina segue funcionando.

A redução de peso foi preventiva, antes dos resultados. A convicção no ativo permanece.

💊 Novo Nordisk (N1VO34) — A farmacêutica do Ozempic em momento de desconto

Ozempic. Wegovy. Nomes que qualquer pessoa que acompanha o setor de saúde reconhece. A Novo Nordisk lidera a revolução dos medicamentos GLP-1 para obesidade — com resultados de emagrecimento comparáveis à cirurgia bariátrica.

Após uma queda de mais de 60% nos últimos 12 meses, motivada principalmente pelo avanço da concorrência, a ação negocia a apenas 11,4x o lucro projetado e entrega um dividend yield de 6,8%. Para quem tem paciência, pode ser uma das apostas mais assimétricas da carteira.

🔬 Taiwan Semiconductor (TSMC34) — A fábrica que sustenta a revolução da IA

58% de participação de mercado global em fundição de semicondutores. Líder absoluta na fabricação dos chips mais avançados do mundo — os mesmos usados nos servidores de IA da Nvidia, Apple, AMD e TSMC.

A posição foi reduzida após alta de 16,6% no ano — uma realização de lucro disciplinada. A convicção na tese permanece total.

💰 Coinbase (C2OI34) — A corretora de cripto que pode ganhar com o novo governo americano

A maior corretora americana de criptomoedas custodia 17 dos 20 maiores ETFs de ativos digitais nos EUA e processa US$ 295 bilhões em volume trimestral. Com o governo Trump mais favorável ao setor e projetos importantes de regulação de stablecoins em andamento, o ambiente para os próximos anos parece mais promissor do que nunca.

O risco? A volatilidade das criptomoedas pode fazer os resultados oscilarem bastante de trimestre para trimestre.

O que a carteira de BDRs diz sobre o momento atual

A mensagem implícita nas mudanças de março é clara: o mercado exagerou na punição de algumas das melhores empresas do mundo. Microsoft caiu quase 20% depois de um resultado que, na essência, foi bom. Alphabet recuou sem razão estrutural. Visa está em mínimas históricas de múltiplo mesmo entregando crescimento consistente.

Para quem investe com horizonte de médio e longo prazo, momentos como este — de volatilidade exagerada e preços descolados dos fundamentos — costumam ser os mais generosos em retrospecto.

A janela nem sempre fica aberta por muito tempo.

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