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Tesouro Prefixado vale a pena com juros em 15% ao ano?

Com a Selic em 15% ao ano, vale a pena investir em Tesouro Prefixado? Entenda como funciona o título, quando ele pode render mais e quais são os riscos

Com a taxa Selic em 15% ao ano, investidores de renda fixa voltaram a observar diferentes tipos de títulos públicos além do Tesouro Selic. Entre eles, o Tesouro Prefixado chama atenção por oferecer uma taxa definida no momento da aplicação, permitindo que o investidor saiba exatamente qual será a rentabilidade caso mantenha o título até o vencimento.

A principal característica do Tesouro Prefixado é justamente essa previsibilidade. No momento da compra, o investidor trava uma taxa anual fixa. Se o título estiver oferecendo, por exemplo, 14% ao ano, esse percentual será mantido até o vencimento independentemente das mudanças futuras na taxa básica de juros.

Isso significa que, ao contrário do Tesouro Selic, cuja rentabilidade acompanha a taxa definida pelo Banco Central ao longo do tempo, o Tesouro Prefixado depende da taxa contratada na data da compra.

Quando o Tesouro Prefixado se torna mais atrativo

O título costuma ganhar força quando o mercado acredita em queda futura da taxa Selic.

Isso acontece porque, se a taxa básica cair nos próximos meses ou anos, investidores que travaram uma taxa mais alta anteriormente passam a carregar um título mais vantajoso em comparação aos novos papéis emitidos no futuro.

Nesse cenário, o Tesouro Prefixado pode até se valorizar antes do vencimento.

Como funciona na prática

Suponha um investimento de R$ 10 mil em um título prefixado a 14% ao ano.

Se mantido por 12 meses:

  • rendimento bruto aproximado: R$ 1.400

  • valor bruto final: R$ 11.400

Sobre o lucro incide Imposto de Renda conforme tabela regressiva.

Se o investimento permanecer por um ano:

  • alíquota de 17,5% sobre o lucro

  • imposto aproximado: R$ 245

  • lucro líquido estimado: R$ 1.155

Valor líquido final:

  • R$ 11.155

Diferença em relação ao Tesouro Selic

Com a Selic em 15%, o Tesouro Selic tende a render ligeiramente acima de um prefixado de 14% caso a taxa permaneça estável durante todo o período.

Mas o Prefixado oferece uma vantagem:

Se os juros caírem, o investidor mantém a taxa contratada.

Risco principal: marcação a mercado

Aqui está o ponto mais importante.

O Tesouro Prefixado sofre mais oscilação no preço.

Se o investidor vender antes do vencimento, o valor recebido dependerá do preço de mercado naquele momento.

Se os juros subirem após a compra:

→ o título pode perder valor temporariamente.

Se os juros caírem:

→ o título pode se valorizar.

Por isso, esse título funciona melhor para quem pretende manter até o vencimento.

Impacto da inflação

Outro fator relevante é a inflação medida pelo IPCA.

Se a inflação subir acima da taxa contratada, o ganho real diminui.

Por isso, em períodos de incerteza inflacionária, muitos investidores também observam títulos indexados ao IPCA.

Vale a pena em 2026?

Com a Selic em 15%, o Tesouro Prefixado pode fazer sentido para quem acredita que:

  • o Banco Central começará cortes nos próximos ciclos

  • os juros atuais representam pico do aperto monetário

  • a inflação ficará controlada

Para investidores conservadores, ele exige mais atenção que o Tesouro Selic por causa das oscilações.

Para horizontes mais longos, pode ser instrumento importante de estratégia.

Qual perfil combina mais com esse título

O Tesouro Prefixado tende a fazer mais sentido para:

  • quem aceita oscilações intermediárias

  • quem pretende carregar até o vencimento

  • quem acompanha cenário econômico

A decisão depende menos do número absoluto da taxa e mais da expectativa para a trajetória futura da política monetária.

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