O Itaú BBA manteve a recomendação de compra para ADRs da Vale S.A. e indicou preço-alvo que representa potencial de valorização de 27%, em meio à revisão das perspectivas para minério de ferro e geração de caixa da mineradora.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (10), o banco manteve a recomendação outperform, equivalente a compra, e o preço-alvo de US$ 19,50 para as ADRs da mineradora negociadas nos Estados Unidos, o que representa um potencial de valorização de 27% em relação ao nível atual. Por volta das 16h, as ações da Vale na B3 subiam 1,8%, negociadas a R$ 80,65, impulsionadas pelo fluxo de capital estrangeiro após perdas registradas em pregões recentes.
O encontro com a liderança da Vale abordou as alternativas disponíveis para continuar destravando valor para os acionistas, com destaque para três temas centrais: as perspectivas para o negócio de minério de ferro, o crescimento da divisão de metais básicos e a estratégia de alocação de capital da companhia.
No segmento de metais básicos, agrupado sob a denominação Vale Base Metals, o Itaú BBA destacou que a divisão está bem posicionada para capturar valor com uma base operacional competitiva e crescimento orgânico expressivo. A meta mais ambiciosa é a produção de cobre: a Vale pretende elevar seu volume do metal de aproximadamente 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas até 2035, praticamente dobrando sua capacidade produtiva na commodity. O crescimento deverá ser financiado majoritariamente com recursos próprios da divisão, com investimentos estimados em US$ 5 bilhões até 2035, sendo cerca de US$ 3 bilhões concentrados na primeira metade do período, até 2030.
A possibilidade de um IPO da Vale Base Metals foi discutida, mas o banco deixou claro que a abertura de capital da divisão não é um objetivo em si para a mineradora. A companhia não espera que um IPO, por si só, gere uma reprecificação relevante das ações. A estratégia é manter a divisão estruturalmente preparada para uma oferta pública caso surja uma janela de mercado favorável, sem que a decisão seja guiada por pressão de prazo. O negócio de níquel, por sua vez, apresenta dinâmica mais desafiadora, e a Vale segue avaliando alternativas estratégicas para o segmento sem um desfecho definido.
Para o minério de ferro, principal ativo da Vale, o Itaú BBA mantém uma visão construtiva tanto para o curto quanto para o longo prazo. A produção global de aço tem se mostrado resiliente mesmo diante da desaceleração da economia chinesa, e a queda no teor médio do minério em alguns contratos globais favorece produtores de maior qualidade, categoria em que a Vale se enquadra. No horizonte de longo prazo, o banco destaca o crescimento da demanda por minério transportado por via marítima em mercados emergentes como a Índia, onde a Vale deve vender cerca de 10 milhões de toneladas em 2025, e a redução estrutural estimada em cerca de 3% ao ano na oferta global de minério, tendência que beneficia os produtores com menores custos e maior qualidade de produto.
A Vale também ampliou sua exposição de longo prazo ao frete, aumentando o volume de contratos de transporte acima do patamar histórico de cerca de 80% de suas necessidades logísticas, posicionamento que reduz a volatilidade dos custos de transporte em um ambiente de fretes pressionados pelo conflito no Oriente Médio.
O impacto direto do conflito geopolítico sobre os resultados da Vale foi quantificado pelos executivos durante a reunião. A alta de aproximadamente US$ 20 por barril no petróleo Brent desde o início das tensões representa um custo adicional estimado entre US$ 2 e US$ 2,50 por tonelada de minério exportado. No entanto, esse efeito negativo foi mais do que compensado pela elevação de aproximadamente US$ 5 por tonelada no preço do próprio minério de ferro desde o início das hostilidades, resultando em um saldo líquido positivo para a companhia.
Em termos de estratégia de alocação de capital, o banco registrou que a Vale mantém foco em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, com fusões e aquisições condicionadas a critérios rigorosos de solidez estratégica e geração de valor. Por fim, o Itaú BBA informou que os trabalhos de recuperação nas operações de Fábrica e Viga estão praticamente concluídos, com impacto limitado esperado nos volumes de produção de 2026.










