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JP Morgan mantém neutro para Direcional após margem recorde e lucro abaixo das projeções

Direcional registra margem bruta recorde de 42,8% no 4T25 mas resultado financeiro fica 58% abaixo do projetado pelo JP Morgan

O JP Morgan avaliou os resultados da Direcional Engenharia no quarto trimestre de 2025 como mistos e sinalizou que as ações da companhia devem ter uma reação ligeiramente negativa no curto prazo. A construtora registrou a maior margem bruta ajustada de sua história, de 42,8%, mas o lucro líquido ficou abaixo das projeções do banco e do consenso de mercado, distanciamento que o JP Morgan atribui a dois fatores específicos: um resultado financeiro mais fraco do que o esperado e uma participação de minoritários acima da projetada.

O banco manteve recomendação neutra para os papéis DIRR3 com preço-alvo de R$ 21, o que representa um potencial de valorização de 39% em relação ao último fechamento, de R$ 15,10. A manutenção de um preço-alvo significativamente acima do preço de mercado com recomendação neutra reflete a avaliação de que, apesar do desconto implícito, os fatores de incerteza no curto prazo não justificam uma postura mais agressiva de compra neste momento.

A margem bruta ajustada de 42,8% no quarto trimestre de 2025 representa avanço de 3,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior e é interpretada pelo JP Morgan como evidência da elevada rentabilidade dos projetos da companhia. No entanto, esse desempenho operacional superior não se converteu em resultado financeiro acima das expectativas. O lucro líquido somou R$ 211 milhões no trimestre, crescimento de 28% na comparação anual, mas entre 4% e 5% abaixo das projeções tanto do JP Morgan quanto do consenso de mercado.

O banco identificou dois vetores específicos para a frustração. O primeiro foi o resultado financeiro, que ficou 58% abaixo do projetado pela instituição, impactado por uma perda de aproximadamente R$ 14 milhões em instrumentos derivativos utilizados para proteção contra oscilações nas taxas de juros, mecanismo conhecido como hedge. O segundo fator foi a parcela do lucro destinada a acionistas minoritários, que atingiu 25,7% no trimestre, bem acima da expectativa de cerca de 21% e muito superior aos 11,1% registrados em 2024. Esse aumento na participação de minoritários reduz a fatia do lucro que pertence aos acionistas majoritários e, consequentemente, os indicadores por ação da companhia.

A receita líquida da Direcional alcançou R$ 1,23 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 33% na base anual, mas ficou 3% abaixo do consenso de mercado. O resultado reforça o padrão observado no trimestre: crescimento robusto em termos absolutos, com pequenas frustrações em relação às expectativas em diversas linhas do resultado.

Os indicadores operacionais, contudo, foram avaliados positivamente pelo banco. As pré-vendas líquidas atribuíveis à Direcional somaram R$ 1,31 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2024, e os lançamentos atingiram R$ 1,68 bilhão, alta de 20%. O preço médio de pré-venda ficou em cerca de R$ 273 mil por unidade, elevação de 4% na base anual. A geração de caixa operacional de R$ 390 milhões no trimestre representou um salto expressivo em relação aos R$ 159 milhões do terceiro trimestre, sinalizando melhora na conversão de resultado em caixa. A construtora também adquiriu 25 novos terrenos entre outubro e dezembro, com potencial de vendas estimado em R$ 8,3 bilhões, garantindo um pipeline relevante de projetos futuros.

Em termos de valuation, o JP Morgan apontou que as ações da Direcional são negociadas a cerca de 8,7 vezes o lucro estimado para 2026, múltiplo próximo ao de pares como a Cury e acima de empresas como MRV e Tenda, o que posiciona o papel em uma faixa intermediária dentro do setor de construção civil voltado ao programa Minha Casa Minha Vida.

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