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XP calcula que zeragem do PIS/Cofins do diesel pode custar R$ 17,6 bi

Com petróleo a US$ 60 a arrecadação com exportações cai para R$ 17,4 bi no ano mas com barril a US$ 120 pode chegar a R$ 34,8 bi

A XP Investimentos concluiu que a medida provisória e o decreto publicados pelo governo federal para zerar o PIS e a Cofins sobre o diesel não serão fiscalmente neutros. Segundo os analistas da casa, o custo fiscal da desoneração supera os ganhos estimados com a tributação sobre exportações de petróleo bruto criada simultaneamente pelo governo para compensar a renúncia de receita.

Os cálculos da XP apontam que o custo fiscal total para subsidiar o corte do PIS e da Cofins sobre o diesel chega a R$ 15,9 bilhões, enquanto o ganho de arrecadação com a nova tributação sobre exportações de petróleo e diesel deve alcançar R$ 12,9 bilhões em quatro meses, considerando um preço médio de US$ 100 por barril e crescimento de 5% nas exportações em 2026. A diferença entre os dois números já indica que a medida não se paga sozinha dentro do horizonte de quatro meses para o qual o governo estruturou o mecanismo de compensação.

A XP vai além e aponta que o custo fiscal da zeragem pode ser ainda maior do que o divulgado pelo governo. Calculando com base nos volumes de venda de diesel registrados em 2025 e assumindo crescimento moderado da demanda, os analistas estimam que o custo pode chegar a R$ 17,6 bilhões no período, o equivalente a R$ 5,9 bilhões a cada três meses ao longo de 2026.

A sensibilidade da compensação ao preço do petróleo é um fator central na análise. Se o barril recuar para US$ 60, a arrecadação com as exportações cairia para R$ 17,4 bilhões no ano, reduzindo significativamente a capacidade de cobertura do custo fiscal. Se o barril subir para US$ 120, o retorno poderia chegar a R$ 34,8 bilhões, cenário em que a compensação superaria o custo da desoneração. A XP quantificou essa sensibilidade: cada aumento de US$ 10 no preço do barril gera aproximadamente R$ 10,7 bilhões em receitas líquidas adicionais para o governo no ano, o que significa que, com petróleo acima de determinado patamar, outras receitas podem compensar o rombo da desoneração mesmo que a tributação específica sobre exportações não seja suficiente.

A avaliação da XP reconhece esse ponto: com preços mais elevados do petróleo, a compensação da redução do PIS e da Cofins pode vir de outras fontes de receita do governo que se beneficiam do ambiente de preços elevados, como dividendos da Petrobras e royalties. O problema é que essa compensação é indireta, não garantida e dependente de um cenário de preços que pode não se sustentar.

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