O banco de investimento Jefferies rebaixou sua recomendação para as ações da Petrobras de compra para neutro após o governo federal anunciar a tributação das exportações de petróleo bruto e o conjunto de medidas para reduzir o preço do diesel no mercado doméstico. O banco definiu preço-alvo de US$ 19 para os ADRs ordinários e de US$ 17,20 para os preferenciais negociados em Nova York.
Na avaliação dos analistas, as novas regras alteram o equilíbrio dentro da cadeia do setor no Brasil de forma desfavorável para a Petrobras. Ao tributar as exportações de petróleo, o governo reduz a exposição da empresa às altas da commodity no mercado internacional, limitando sua capacidade de capturar ganhos em momentos de preços elevados como o atual. A combinação dessa medida com o subsídio ao diesel, que comprime as margens no mercado doméstico, tende a prejudicar a geração de valor da companhia e a limitar o potencial de distribuição de caixa aos acionistas no curto prazo, o que justifica a postura mais cautelosa adotada pelo banco.
O Jefferies destacou a relevância estrutural do diesel na economia brasileira para contextualizar o impacto das medidas. O combustível é essencial para o transporte de cargas e para a agricultura, e o Brasil possui déficit estrutural no produto, importando entre 20% e 30% da demanda interna. Esse déficit torna o preço do diesel um fator sensível tanto para a inflação quanto para a competitividade do agronegócio, o que explica a disposição do governo em intervir mesmo assumindo custos fiscais relevantes.
O cenário, contudo, é visto como favorável para as distribuidoras de combustíveis. O Jefferies destacou especificamente a Vibra Energia como potencial beneficiária das condições criadas pelas medidas governamentais, que tendem a melhorar o ambiente de distribuição no mercado doméstico e valorizar a posição da companhia na rede de abastecimento nacional.










