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XP revisa Selic e descarta corte nesta quarta com petróleo pressionando inflação

No novo cenário-base a XP espera quatro cortes consecutivos de 0,50 ponto a partir de abril levando a Selic a 13%

A XP Investimentos revisou sua projeção para a reunião do Copom desta quarta-feira (18) e passou a defender a manutenção da taxa Selic em 15%, descartando o corte de 0,50 ponto percentual que a casa projetava anteriormente. A mudança torna a XP a instituição mais conservadora entre os bancos e casas de análise que revisaram suas expectativas nas últimas sessões, num movimento mais amplo de revisão provocado pela escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e pela disparada do petróleo.

“Nossa projeção anterior indicava um corte de 0,50 p.p.. A nosso ver, há mudanças e incertezas suficientes no cenário para justificar uma abordagem mais cautelosa de esperar para ver, sem comprometer a credibilidade da autoridade monetária”, escreveu a equipe de economistas em relatório. A avaliação da casa é que o panorama atual não corresponde ao cenário esperado pelo próprio Copom quando sinalizou, em janeiro, que poderia iniciar o ciclo de flexibilização monetária em março. O contexto mudou de forma relevante desde então.

O principal vetor da mudança é o choque do petróleo. O barril do Brent saiu de níveis próximos a US$ 60, que embasavam as projeções do Copom na reunião de janeiro, para patamares próximos de US$ 100 nas últimas semanas com a escalada do conflito. Esse movimento pressiona a inflação por dois canais distintos. O primeiro é direto: combustíveis mais caros elevam os preços nas bombas e impactam o IPCA de forma imediata. O segundo é indireto: o aumento do custo de energia e transporte acaba sendo repassado para bens e serviços ao longo da cadeia produtiva, gerando pressão inflacionária mais difusa e persistente.

Para a XP, trata-se de um choque negativo de oferta relevante num momento particularmente delicado: a economia brasileira opera com pouca ociosidade e a inflação já está acima da meta de 3%. Esse tipo de choque costuma deixar o Banco Central em posição defensiva porque pode gerar pressão inflacionária sem estar associado a um excesso de demanda, o que torna mais difícil calibrar a resposta de política monetária.

A casa projeta que as estimativas de inflação do próprio Banco Central devem subir na próxima rodada de projeções. A previsão para o IPCA de 2026 deve avançar de 3,4% para 3,8%, enquanto a estimativa para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, deve subir de 3,2% para 3,5%. Outro fator que preocupa os economistas da XP é o comportamento dos núcleos de inflação, indicadores que excluem itens mais voláteis e são usados para avaliar a pressão inflacionária estrutural da economia. Após alguns meses de melhora, esses indicadores voltaram a acelerar no início do ano, sinalizando que a inflação subjacente está mais resistente do que parecia.

Diante desse quadro, a XP avalia que iniciar o ciclo de cortes agora enviaria um sinal prematuro ao mercado e poderia questionar a credibilidade do Banco Central num momento de pressão externa. A estratégia mais prudente seria adiar o início da flexibilização para a reunião de abril, quando o Copom terá mais informações sobre a trajetória da inflação e os desdobramentos do cenário geopolítico. No novo cenário-base da casa, estão projetados quatro cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual a partir de abril, o que levaria a Selic a 13% ao fim do ciclo, seguidos de uma pausa de avaliação no segundo semestre em razão do efeito das eleições sobre o cenário econômico. O cenário assume, porém, uma premissa importante: a redução das tensões geopolíticas com o preço do petróleo voltando para a faixa entre US$ 70 e US$ 80 o barril.

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