O recuo do dólar nos mercados internacionais tem uma explicação direta na avaliação de Jaqueline Neo, Especialista em Câmbio e Crédito da be.smart: a compressão do prêmio de risco global diante dos sinais de desescalada no conflito do Oriente Médio. Com menor demanda por proteção, os fluxos de capital se realocam rapidamente para ativos de maior risco, enfraquecendo a moeda americana e favorecendo as divisas de países emergentes.
No caso do Brasil, a analista destaca que o real responde com intensidade maior do que a média dos emergentes. O diferencial de juros ainda elevado no país sustenta estratégias de carrego e atrai capital tático nos momentos em que o apetite por risco se amplia.
“Nesse ambiente, o câmbio se ajusta mais por fluxo do que por fundamentos domésticos no curto prazo”, avalia Neo. Outro fator que pesa contra o dólar de forma mais ampla, segundo ela, é a acomodação nos preços de commodities — especialmente energia —, que reduz o risco de choques inflacionários globais e contribui para um ambiente financeiro mais estável.
Apesar do movimento favorável ao real, Jaqueline Neo faz um alerta relevante: a queda do dólar é sensível à evolução do cenário externo e pode não se sustentar. Sem a confirmação de uma trégua mais consistente no Oriente Médio, a tendência de baixa da moeda americana tende a perder força e pode ser revertida rapidamente. “Qualquer reprecificação do risco geopolítico ou mudança na trajetória de juros nos Estados Unidos é suficiente para inverter o movimento”, alerta a especialista.
A leitura de Neo, portanto, é de cautela: o ambiente atual favorece o real, mas a janela é estreita e depende de um cenário externo que ainda não tem contornos definitivos.









