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Oncoclínicas registra prejuízo de R$ 3,6 bi em 2025 e auditoria levanta dúvida sobre continuidade da empresa

O prejuízo quadruplicou de R$ 717 mi para R$ 3,6 bi por perdas com CDBs do Master, inadimplência da Unimed-Ferj de R$ 900 mi e revisão da política comercial

A Oncoclínicas encerrou 2025 com um prejuízo líquido de R$ 3,6 bilhões, quase cinco vezes o resultado negativo de R$ 717 milhões registrado no ano anterior, e declarou em seu balanço estar num cenário de incertezas significativas sobre a continuidade operacional da companhia. A auditora independente Deloitte reforçou o alarme ao concluir que há incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade da empresa de seguir operando.

Três fatores concentraram a deterioração financeira. O primeiro foi a exposição ao Banco Master: a Oncoclínicas tinha R$ 430,9 milhões em CDBs da instituição de Daniel Vorcaro, com provisão de perda de R$ 213,9 milhões já registrada no balanço. O segundo foi a inadimplência da Unimed-Ferj, que gerou uma dívida de cerca de R$ 900 milhões a receber, ainda em negociação. O terceiro foi uma revisão da política comercial que reduziu as receitas ao longo do ano. A combinação dos três comprimiu a liquidez da companhia e levou ao descumprimento de índices financeiros estabelecidos em contratos de empréstimos e debêntures, o que forçou a reclassificação de uma parcela relevante da dívida para o curto prazo.

A situação patrimonial é grave. A dívida líquida somada às aquisições a pagar chegou a R$ 2,9 bilhões ao fim de 2025, com alavancagem de 3,5 vezes o Ebitda. As ações da companhia acumulam desvalorização de 68,7% nos últimos doze meses, queda que se aprofundou com os desdobramentos do caso Master, onde o ex-banqueiro Vorcaro detinha 15% da rede. Parte das ações está hoje sob controle do BRB, que herdou 8,6% da participação de Vorcaro, sem que haja ainda definição sobre o destino desses papéis.

A saída que a Oncoclínicas articula passa por uma reorganização societária que envolve dois parceiros estratégicos. A empresa assinou termos de compromisso com o grupo Porto e o Fleury para criar uma nova companhia, na qual os dois serão minoritários com cerca de 30% e investirão R$ 500 milhões por meio de uma holding. A Oncoclínicas pretende levantar até R$ 1 bilhão com a venda de participações na nova empresa e com a emissão de debêntures conversíveis em ações. Parte da dívida operacional atual seria transferida para a nova estrutura, mas o movimento depende de aprovação dos credores.

A lógica estratégica da operação é sólida apesar da crise financeira. A Oncoclínicas presta cerca de 90% dos serviços de oncologia da Porto, um dos maiores grupos de seguros e planos de saúde do país, e os serviços oncológicos geram o maior lucro ambulatorial do setor de saúde. Para o Fleury, a união representaria liderança no segmento de cuidados ambulatoriais que reúne diagnósticos e oncologia, além de diversificação que reduz riscos de precificação no setor.

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