O Ibovespa superou os 197 mil pontos na sexta-feira pela primeira vez na história, antecipando projeções que muitos bancos só esperavam para o fim do ano. O movimento obriga o mercado a recalibrar os alvos, e as análises dos especialistas divergem principalmente sobre o que seria necessário para levar o índice ainda mais longe.
O JPMorgan tinha como cenário-base o Ibovespa a 190 mil pontos ao fim de 2025, alvo já superado. Para o cenário otimista do banco, de 230 mil pontos, as estrategistas da instituição são claras sobre as condições: o Brasil precisaria transitar de uma narrativa impulsionada pelo momento para uma história de crescimento estrutural mais sustentável. “Uma postura fiscal mais crível criaria espaço para uma política monetária mais flexível e ajudaria a comprimir os rendimentos em toda a curva. Se essas condições se concretizarem, o Brasil poderá ter um desempenho significativamente superior”, avaliam.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, é mais direto ao quantificar o impacto de um possível cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. Na sua avaliação, o fim do conflito poderia acrescentar cerca de 35 mil pontos ao índice, desde que o câmbio colabore com o dólar em patamar mais baixo e os juros continuem caindo. Ele também destaca o papel do petróleo: uma acomodação das cotações de volta aos US$ 70 por barril, nível que prevalecia antes do conflito, aliviaria a pressão sobre a inflação global e abriria mais espaço para o corte de juros no Brasil.
O Safra já havia revisado sua projeção para 220 mil pontos antes mesmo das negociações de paz, argumentando que o Ibovespa negocia a múltiplos inferiores à média histórica e abaixo de pares emergentes e latino-americanos. O banco calcula que, em ciclos anteriores de afrouxamento monetário, o múltiplo preço/lucro do índice avançou em média de 9,8 vezes para 11 vezes, trajetória que, se se repetir, sustenta a tese de reprecificação da bolsa. A projeção da casa é de Selic em 11,75% ao fim de 2026 e 9,5% ao fim de 2027, patamares que o banco considera benignos para ativos de risco. Sobre o petróleo, a equipe econômica do Safra avalia que o BC pode absorver o choque sem mudar o ciclo de cortes, desde que os efeitos sobre a inflação não se mostrem persistentes.
O BB Investimentos manteve alvo de 205 mil pontos para o índice, completando um quadro em que as principais casas convergem para a visão de que a bolsa brasileira segue descontada, com lucros em recuperação, fluxo internacional favorável a emergentes e ciclo de queda de juros como catalisadores estruturais.










