A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 foi a mais fraca dos últimos cinco trimestres, segundo avaliação da XP Investimentos. A maioria das empresas entregou números em linha com o esperado, com poucas surpresas positivas. A receita mostrou certa resiliência, mas o EBITDA deteriorou, pressionado por setores de commodities e cíclicos domésticos. O lucro líquido registrou a menor proporção de resultados acima das estimativas no período, sinalizando enfraquecimento da qualidade geral dos balanços.
Os bancos foram o grupo mais consistente da temporada. O Itaú liderou com boa rentabilidade e controle de custos rigoroso. BTG Pactual e B3 também se destacaram pela consistência e melhora operacional. Bradesco e Banco do Brasil, na avaliação da XP, exigem postura mais cautelosa dos investidores diante de um ambiente de crédito mais desafiador.
Em papel e celulose, a Suzano entregou resultados robustos sustentados por maiores volumes e melhores preços no mercado de celulose. A Klabin ficou abaixo das expectativas por sazonalidade e demanda mais fraca, enquanto a Celulose Irani teve resultado considerado neutro. O setor de tecnologia, mídia e telecomunicações também se saiu bem, com a boa execução operacional das empresas como principal diferencial. Em telecom, Vivo e TIM lideraram com crescimento de margens, geração de caixa e controle de custos, enquanto operadoras regionais se destacaram pela eficiência num setor em consolidação.
No campo oposto, o varejo teve um trimestre difícil. A combinação de demanda pressionada pelo ambiente macroeconômico adverso, clima desfavorável para o segmento de vestuário e concorrência crescente no e-commerce pesou sobre os resultados. As farmácias foram a exceção positiva dentro do setor, com crescimento sólido em vendas e ganhos operacionais. O Mercado Livre se destacou no e-commerce por crescimento expressivo, mas com margens comprimidas.
O agronegócio teve desempenho misto. Condições climáticas adversas impactaram os resultados, e custos logísticos pressionaram as margens mesmo onde a operação mostrou resiliência. No segmento de açúcar e etanol, o cenário segue desafiador, com a situação da Raízen merecendo atenção especial, apesar de alguma compensação parcial por preços melhores e estratégias de hedge.
A revisão das estimativas de lucro por ação a partir de março foi positiva, liderada pelo setor de energia em função da alta do petróleo. Tecnologia, industriais e telecom também tiveram revisões para cima. Saúde e consumo básico ficaram para trás nesse movimento.









