O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer voltou a crescer e alcançou 82% em julho de 2026, ante 81,6% em junho e 78,5% no mesmo mês do ano passado. O resultado representa o sexto recorde consecutivo da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nessa quinta-feira (6).
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência apresentou leve recuo, passando de 29,9% para 29,8% no mês, refletindo, em parte, os efeitos do programa Desenrola 2.0. Ainda assim, cresceu a parcela de famílias que comprometem mais da metade da renda com o pagamento de dívidas, que chegou a 19%, enquanto o comprometimento médio da renda dos endividados atingiu 29,5%.
Segundo a CNC, o avanço do endividamento preocupa pelos impactos sobre o consumo e a atividade econômica, embora indicadores como a redução do tempo médio de atraso das contas e da proporção de dívidas com mais de 90 dias sinalizem melhora gradual na capacidade de renegociação. A entidade avalia que a redução da Selic pode favorecer o crédito e aliviar o orçamento das famílias, mas destaca que esse processo tende a ocorrer de forma gradual.
A pesquisa também mostra que a pressão financeira segue concentrada entre as famílias de menor renda. Entre aqueles que recebem até três salários mínimos, o endividamento atingiu 84,9%, com aumento da inadimplência e da parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas, enquanto as faixas de renda mais elevadas registraram queda nos atrasos, apesar do maior volume de endividamento.










