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Prudential acelera venda da operação brasileira em revisão global de negócios

Grupo pretende realocar mais de US$ 3 bilhões após vender operações em emergentes. Brasil é o principal ativo do processo de desinvestimento

A Prudential Financial confirmou que acelerará sua estratégia de retirada dos mercados emergentes, mas destacou que a operação brasileira foi uma das principais responsáveis pelo desempenho da divisão internacional no segundo trimestre. Durante teleconferência com investidores, executivos detalharam o plano de simplificação da companhia, que prevê a venda de ativos para concentrar investimentos nos Estados Unidos, Japão e países selecionados da Europa.

Embora o Brasil praticamente não tenha sido citado na apresentação estratégica, a operação brasileira ganhou destaque quando a companhia apresentou os resultados financeiros do trimestre. Mesmo sem divulgar números específicos, a composição das vendas por moeda mostrou que o real representou 19% da receita da divisão internacional, ficando atrás apenas do iene, com 56%, e do dólar, com 23%. O dado evidencia a relevância da subsidiária brasileira justamente no momento em que ela está sendo colocada à venda.

Segundo o CEO e chairman da Prudential Financial, Andy Sullivan, o grupo pretende reduzir pela metade sua presença internacional, abandonando mercados emergentes para concentrar capital em regiões consideradas estratégicas. A empresa avalia que a nova configuração permitirá maior rentabilidade, menor consumo de capital regulatório e melhor geração de caixa.

“Hoje, nossos negócios de previdência e seguros operam em mais de uma dúzia de países. Planejamos reduzir essa presença em ao menos a metade e concentrar a geração de passivos nos Estados Unidos, Japão e países europeus selecionados”, afirmou Sullivan. “Isso significa sair dos mercados emergentes, enquanto administramos essas saídas para maximizar valor.”

A companhia pretende realocar mais de US$ 3 bilhões obtidos com as vendas para fortalecer suas operações prioritárias, especialmente os negócios de previdência, seguros e a Prudential Global Investment Management (PGIM), braço global de gestão de recursos. Segundo Sullivan, o ambiente internacional exige maior escala e concentração de capital em mercados considerados mais estratégicos.

A PGIM administra atualmente cerca de US$ 1,2 trilhão em ativos e responde por aproximadamente 12% do lucro operacional ajustado do grupo. A expectativa da companhia é elevar essa participação para cerca de 25% ao longo do tempo, tornando a gestora um dos principais motores de crescimento da Prudential.

A diretora financeira, Yanela Frias, afirmou que a reorganização permitirá construir uma estrutura financeira mais previsível, com maior geração de caixa, menor intensidade de capital e redução de despesas. Segundo a executiva, as operações em mercados emergentes atualmente consomem recursos e oferecem contribuição limitada ao fluxo de caixa da companhia.

Questionados por analistas sobre o andamento das negociações, os executivos evitaram comentar detalhes dos processos de venda. Sullivan afirmou apenas que a estratégia é negociar os ativos, e não encerrar as operações, ressaltando que se tratam de negócios com valor relevante.

O Brasil é considerado o principal ativo do programa de desinvestimentos da Prudential. Conforme informações já divulgadas pelo mercado, a companhia espera levantar entre R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões com a venda da operação brasileira, enquanto a alienação da subsidiária no México poderá render entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão. As transações são coordenadas pelo Morgan Stanley e deverão ser determinantes para que a empresa alcance a expectativa de levantar mais de US$ 3 bilhões com a saída dos mercados emergentes.

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