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Fundos de investimento perdem R$ 25,3 bilhões em julho

Dados da Anbima mostram fuga de R$ 19,8 bilhões da renda fixa em julho. ETFs, FIPs e Fiagros registraram captação positiva

Os fundos de investimento registraram saída líquida de R$ 25,3 bilhões em julho, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O resultado representa o segundo mês consecutivo de resgates líquidos e mostra uma aceleração em relação a junho, quando as retiradas haviam somado R$ 5,3 bilhões.

A maior pressão veio dos fundos de renda fixa, que responderam por R$ 19,8 bilhões dos resgates líquidos. Foi o quarto mês consecutivo de saídas nessa categoria e uma forte deterioração em comparação aos R$ 685,1 milhões retirados em junho. Os maiores resgates concentraram-se em fundos de títulos públicos de curto prazo e em estratégias de crédito privado com maior flexibilidade para investir em ativos de diferentes prazos e níveis de risco.

O movimento ainda reflete os efeitos da instabilidade registrada no mercado de crédito privado entre março e abril, quando a elevação dos prêmios de risco reduziu o valor das cotas de diversos fundos, especialmente aqueles com exposição a debêntures incentivadas. A combinação de pedidos de recuperação extrajudicial de empresas, atrasos na divulgação de resultados corporativos e o aumento da aversão ao risco provocado pelas tensões no Oriente Médio pressionou os preços dos títulos e gerou perdas temporárias para os investidores.

Como parte dos fundos possui prazo de conversão de até dois meses entre o pedido de resgate e o efetivo pagamento dos recursos, as retiradas realizadas anteriormente continuam sendo refletidas nas estatísticas mais recentes. Gestores do setor afirmam que os pedidos de saída perderam intensidade nas últimas semanas, acompanhando a recuperação dos retornos dos fundos de crédito.

A melhora ocorreu com a redução dos prêmios exigidos pelos investidores para adquirir títulos privados. Com a queda das taxas de negociação, os preços dos papéis voltaram a subir, beneficiando o desempenho das carteiras. Ainda assim, profissionais do mercado avaliam que o ambiente permanece seletivo, uma vez que o elevado nível dos juros continua pressionando a capacidade financeira de diversas empresas emissoras de dívida.

Além da renda fixa, os fundos multimercados registraram saída líquida de R$ 5,5 bilhões em julho. Os fundos de ações perderam R$ 1,4 bilhão, enquanto os fundos de previdência tiveram resgates de R$ 1 bilhão. O cenário de juros elevados tem reduzido o apetite por estratégias de maior risco e levado parte dos investidores a priorizar aplicações mais conservadoras.

Na direção oposta, os ETFs voltaram a atrair recursos. Os fundos negociados em bolsa registraram captação líquida de R$ 1,5 bilhão no mês, impulsionados principalmente pelos produtos de renda fixa. Pela primeira vez, o patrimônio dos ETFs dessa categoria ultrapassou o dos ETFs de renda variável na B3, alcançando R$ 61 bilhões, frente aos R$ 55,8 bilhões dos produtos ligados ao mercado acionário.

Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) também encerraram julho com saldo positivo. As captações líquidas atingiram R$ 986 milhões e R$ 755 milhões, respectivamente.

Apesar da saída registrada em julho, o fluxo acumulado em 2026 permanece positivo. No ano, os fundos de investimento receberam captação líquida de R$ 208,8 bilhões. A renda fixa lidera o ingresso de recursos, com R$ 103,1 bilhões, seguida pelos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que captaram R$ 57,3 bilhões, pelos FIPs, com R$ 36,8 bilhões, e pelos ETFs, que acumulam R$ 34,1 bilhões em entradas líquidas.

No sentido contrário, os fundos multimercados seguem registrando o maior volume de retiradas no acumulado do ano, com resgates líquidos de R$ 12,2 bilhões. Os fundos de previdência acumulam saída de R$ 8,8 bilhões, enquanto os fundos de ações registram retirada líquida de R$ 8 bilhões, refletindo a preferência dos investidores por ativos de renda fixa em um ambiente de juros elevados.

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