A Petrobras recebeu avaliações majoritariamente positivas de bancos e corretoras após divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026. O desempenho operacional acima das expectativas, aliado à forte geração de caixa e à aprovação de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, reforçou a percepção de que a companhia continua apresentando fundamentos sólidos, embora o mercado permaneça atento aos riscos relacionados ao preço do petróleo, à política de alocação de capital e ao ambiente político.
O movimento das ações ao longo do pregão também refletiu declarações do diretor financeiro da estatal, Fernando Melgarejo, que afirmou considerar pouco provável a distribuição de dividendos extraordinários. A sinalização reduziu parte das expectativas de investidores quanto a pagamentos adicionais de proventos além da política ordinária da companhia.
Na avaliação do Bradesco BBI, a Petrobras apresentou um dos trimestres mais fortes dos últimos anos. O banco destacou o Ebitda de US$ 18,9 bilhões, cerca de 6% acima do consenso do mercado, impulsionado principalmente pelo desempenho da área de Exploração e Produção (E&P). A instituição também ressaltou a geração de fluxo de caixa livre de US$ 4,4 bilhões, favorecida pela combinação entre menor necessidade de capital de giro e estabilidade dos investimentos.
Após a divulgação do balanço, o Bradesco BBI revisou suas projeções para incorporar margens mais elevadas no segmento de refino e expectativa de maior produção nos próximos anos. Ao mesmo tempo, ponderou que parte desse efeito positivo pode ser compensada por uma perspectiva de preços internacionais do petróleo menos favorável.
A XP Investimentos também classificou o resultado como superior às expectativas. Segundo a corretora, o lucro líquido ficou aproximadamente 30% acima de suas estimativas, beneficiado principalmente pelos preços mais elevados do Brent e pela melhora das margens de refino. A instituição calcula que, desconsiderando efeitos extraordinários relacionados ao capital de giro e à venda de ativos, o fluxo de caixa recorrente teria alcançado cerca de US$ 7,6 bilhões.
Outro ponto destacado pela XP foi o fortalecimento da estrutura financeira da companhia. A dívida líquida caiu aproximadamente US$ 3 bilhões no trimestre, encerrando junho em US$ 15,4 bilhões, enquanto a alavancagem recuou para 1,14 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda.
No desempenho operacional, a corretora destacou a expansão da produção de petróleo para 2,69 milhões de barris por dia, impulsionada pelo avanço de plataformas no pré-sal, incluindo Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78. O custo de extração também apresentou melhora, recuando para cerca de US$ 9 por barril, favorecido pela maior participação dos campos do pré-sal na produção total.
Apesar da avaliação positiva, a XP observa que a Petrobras poderia ter apresentado resultados ainda mais robustos caso os preços domésticos dos combustíveis estivessem alinhados à paridade internacional durante todo o trimestre. Pelas estimativas da instituição, essa diferença pode ter reduzido o Ebitda em aproximadamente US$ 1,8 bilhão e o fluxo de caixa livre em cerca de US$ 1,2 bilhão.
No campo das recomendações, o Santander manteve classificação Outperform para as ações da Petrobras e reafirmou a estatal como sua principal escolha no setor de petróleo e gás da América Latina. O banco preservou o preço-alvo equivalente a R$ 60 por ação.
O BTG Pactual também reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 56. Para a instituição, a companhia continua sustentada pelo crescimento da produção, pela perspectiva favorável para os preços dos combustíveis e pela capacidade de distribuir elevados retornos aos acionistas. O banco projeta rendimento de aproximadamente 12% em fluxo de caixa ao acionista e dividend yield próximo de 10% em 2027, considerando um Brent em torno de US$ 70 por barril.
O Banco Safra igualmente manteve recomendação de compra para as ações preferenciais da Petrobras, com preço-alvo de R$ 57. Já o Bradesco BBI elevou seu preço-alvo para R$ 53 até o fim de 2027, mas preservou recomendação neutra, argumentando que o potencial de valorização permanece limitado pelas incertezas envolvendo a trajetória do petróleo, decisões de investimento da companhia e o ambiente político.
De forma geral, a leitura predominante entre os analistas é que a Petrobras segue apresentando elevada capacidade de geração de caixa e distribuição de dividendos. Contudo, o comportamento futuro das ações continuará condicionado à evolução dos preços internacionais do petróleo, à disciplina na alocação de capital e às decisões estratégicas da administração.










