O Itaú Unibanco permanece como a principal recomendação da XP entre as ações negociadas na Bolsa brasileira. A corretora manteve o banco como seu top pick, com preço-alvo de R$ 50 por ação e potencial de valorização estimado em cerca de 20%, apoiado pela combinação entre rentabilidade elevada, qualidade dos ativos e forte geração de capital.
A tese já não está apoiada em uma avaliação de preço considerada barata. Segundo a XP, as ações negociam a aproximadamente oito vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo que reflete parte relevante da qualidade operacional do banco. Ainda assim, a corretora entende que o nível atual é compatível com a maior previsibilidade dos resultados e com a capacidade da instituição de atravessar ciclos econômicos mais adversos.
Para a XP, o Itaú mantém uma posição diferenciada no setor bancário por conseguir expandir a carteira de crédito sem deterioração relevante dos indicadores de risco. O crescimento permanece concentrado em clientes de melhor qualidade, enquanto inadimplência e custo de crédito continuam controlados.
A geração de capital também permanece como um dos pilares da recomendação. A corretora estima dividend yield próximo de 8%, reforçando o papel do banco como uma alternativa para investidores que combinam busca por valorização das ações com distribuição de proventos.
“A cerca de oito vezes o preço sobre lucro projetado para 2027, o Itaú já não é uma tese baseada em valuation. Em vez disso, vemos o múltiplo atual como um preço justo por uma visibilidade superior de resultados, qualidade de ativos resiliente e consistente geração de capital”, afirmou a XP.
O cenário macroeconômico, porém, impõe limitações. A instituição revisou em cerca de 1% suas projeções de lucro para incorporar um ambiente de atividade mais fraca e receitas menores em algumas linhas de negócio. Ainda assim, a avaliação é de que a estrutura do balanço e o perfil da carteira permitem ao Itaú manter crescimento mesmo em um ciclo de crédito mais desafiador.
No segundo trimestre de 2026, o banco voltou a apresentar expansão da carteira de crédito com estabilidade na qualidade dos ativos. A XP destacou ainda o desempenho da eficiência operacional e a capacidade de geração interna de capital, fatores que sustentam a expectativa de manutenção de retornos elevados.
O principal ponto de atenção veio das receitas de serviços e seguros. O Itaú reduziu de forma relevante sua projeção para essas linhas em 2026, passando a estimar crescimento entre 2% e 5%, frente à faixa anterior de 5% a 9%.
A revisão reflete uma atividade mais fraca nos mercados de capitais e investimentos feitos pelo banco para aumentar o relacionamento e a recorrência de uso dos produtos pelos clientes. Para a XP, essa combinação deve limitar o avanço das receitas de tarifas no curto prazo, embora não altere de forma estrutural a tese de investimento.
No modelo atualizado, a corretora incorporou receitas menores com tarifas, mas também reduziu ligeiramente suas estimativas para custo de crédito e despesas operacionais, sustentada por um primeiro semestre melhor do que o esperado. A XP também passou a trabalhar com uma alíquota efetiva de imposto mais próxima da parte inferior do guidance divulgado pelo banco.
Mesmo após a valorização superior a 14% acumulada pelas ações nos últimos 12 meses, a XP continua enxergando espaço para ganhos adicionais. A recomendação está menos ligada à expectativa de expansão de múltiplos e mais à capacidade do Itaú de entregar resultados recorrentes, remunerar acionistas e preservar a qualidade da carteira em um ambiente econômico mais restritivo.










