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Economia perde força e BC reduz projeção do PIB de 2026 para 1,8%

Juros altos, menor impulso fiscal e cenário externo incerto devem limitar a economia; BC prevê PIB de 1,8% em 2026 e de 1,4% em 2027

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. Para 2027, a instituição divulgou sua primeira estimativa e prevê avanço ainda menor, de 1,4%. As novas projeções constam do Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (24).

A revisão ocorre em um momento de desaceleração mais evidente dos segmentos da economia sensíveis aos juros. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 0,5% no segundo trimestre, a composição do resultado mostrou perda de força em áreas como indústria, serviços e consumo das famílias.

Segundo o BC, o desempenho agregado entre abril e junho ficou ligeiramente acima do esperado, mas as principais surpresas positivas vieram da agropecuária e da indústria extrativa, setores menos dependentes do ciclo econômico. Em sentido contrário, os segmentos mais cíclicos e o consumo das famílias tiveram desempenho inferior ao projetado.

Os primeiros indicadores do terceiro trimestre reforçaram essa leitura e contribuíram para o corte da previsão anual. Para o Banco Central, os dados recentes sugerem uma atividade econômica mais fraca do que a considerada na projeção anterior.

A desaceleração tem relação direta com o atual estágio da política monetária. A Selic está em 13,75% ao ano, nível considerado contracionista, que encarece o crédito e tende a reduzir o ritmo do consumo e dos investimentos. Esse efeito faz parte do mecanismo utilizado pelo BC para conter a inflação.

Na comunicação mais recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou maior confiança de que a atividade está efetivamente perdendo ritmo. A moderação da demanda é considerada importante para diminuir as pressões sobre os preços e aproximar a inflação da meta de 3%.

A projeção oficial do Banco Central para a inflação no horizonte relevante está atualmente em 3,2%. O comportamento da atividade, dos preços e das expectativas será determinante para as próximas decisões sobre a Selic.

Para 2027, o cenário do BC prevê crescimento moderado tanto pelo lado da oferta quanto da demanda. A instituição cita como fatores a permanência dos efeitos da política monetária restritiva, a reduzida ociosidade dos fatores de produção, as incertezas externas e a diminuição dos estímulos fiscais e de crédito.

O Banco Central também espera uma contribuição menor da agropecuária e da indústria extrativa no próximo ano. Esses setores tiveram papel relevante no crescimento recente, mas a instituição não projeta que mantenham a mesma intensidade de contribuição em 2027.

As estimativas do BC são mais conservadoras do que as divulgadas pelo governo. Nesta semana, a projeção oficial do Executivo para o crescimento de 2026 foi reduzida de 2,3% para 2%, enquanto a previsão para 2027 caiu de 2,5% para 2,3%.

A diferença é mais acentuada para o próximo ano: enquanto o governo trabalha com expansão de 2,3%, o Banco Central estima 1,4%, uma distância de 0,9 ponto percentual. Já as projeções do mercado reunidas no Boletim Focus estão mais próximas das estimativas do BC, com crescimento de 1,88% em 2026 e 1,43% em 2027.

O novo cenário reforça a expectativa de perda gradual de ritmo da economia após o crescimento mais forte observado anteriormente. Para o Banco Central, a intensidade dessa desaceleração será um dos elementos centrais para avaliar a evolução da inflação e definir os próximos passos da política monetária.

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